França e Reino Unido firmam acordo para força de paz na Ucrânia
Acordo para força de paz na Ucrânia é assinado

Os governos da França e do Reino Unido deram um passo significativo no apoio à Ucrânia nesta terça-feira (6), ao assinarem um acordo que prevê o envio de uma força de paz para o país em conflito. A condição para o desdobramento das tropas é a concretização de um cessar-fogo com a Rússia.

O acordo e seus fiadores essenciais

O anúncio foi feito em Paris, durante uma reunião da Coalizão dos Dispostos, grupo de nações que apoia o esforço de guerra ucraniano. Apesar do avanço europeu, a proposta tem um obstáculo considerável: depende crucialmente do apoio dos Estados Unidos, que seriam os fiadores militares do arranjo e os responsáveis por monitorar os termos de uma eventual trégua.

O negociador-chefe americano, Steve Witkoff, presente ao lado de Jared Kushner, genro e conselheiro do presidente Donald Trump, afirmou que os "protocolos de segurança" para o pós-guerra estão "quase todos finalizados". Ele evitou confirmar ou negar os termos anunciados pelos europeus, preferindo enfatizar a disposição americana em "fazer tudo pela paz" e destacar as oportunidades de um "acordo de prosperidade" após o conflito.

Reação russa e ameaças anteriores

A iniciativa, porém, esbarra na firme oposição do Kremlin. O governo de Vladimir Putin rechaça liminarmente a possibilidade de ver soldados da Otan em solo ucraniano, vizinho que invadiu há quase quatro anos, em parte pelo temor de que Kiev pudesse ingressar na aliança militar ocidental.

Esta não é a primeira vez que a ideia de uma força de paz é ventilada. Em 2024, quando os líderes francês e britânico, Emmanuel Macron e Keir Starmer, sugeriram a medida pela primeira vez, receberam ameaças de guerra nuclear por parte de Putin. O Kremlin costuma usar essa carta para lembrar aos rivais os riscos de uma escalada no conflito.

Detalhes do compromisso de segurança

Segundo declarações de líderes como Macron e a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, a Ucrânia também receberá uma garantia de segurança baseada no artigo 5 do estatuto da Otan, que prevê defesa mútua em caso de agressão. O premiê britânico, Keir Starmer, descreveu o acordo como "uma declaração da intenção de enviar forças para a Ucrânia no caso de um acordo de paz", pavimentando o caminho para que tropas francesas e britânicas operem no país.

Meloni, adotando um tom mais realista, preferiu destacar o compromisso de defesa em caso de ataque, deixando claro que a Itália não participará de nenhuma força em solo ucraniano.

Pressão geopolítica e o papel dos EUA

O avanço das discussões, ainda que pendente da definição do papel americano, aumenta a pressão sobre Vladimir Putin. O líder russo, que obteve ganhos territoriais no campo de batalha no fim do ano, mostra pouca disposição para aceitar a proposta.

Contudo, se os Estados Unidos adotarem a ideia com vigor, isso pode confirmar a percepção do Kremlin de que Donald Trump endureceria sua posição no debate sobre a Ucrânia. Esse temor se intensificou após a rápida captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro, aliado de Putin, no último sábado (3). Até então, Trump havia sido francamente favorável aos termos russos, inclusive na questão dos territórios ucranianos ocupados, que somam 20% do país.

O desfecho das negociações e a viabilidade do plano de força de paz seguem em aberto, com as discussões da coalizão prosseguindo nesta quarta-feira (7). O cenário continua complexo, equilibrando-se entre as garantias de segurança para Kiev e a firme oposição de Moscou a qualquer presença militar ocidental em sua fronteira.