Oposição protocola pedidos de impeachment contra Ibaneis Rocha no DF
Oposição pede impeachment de Ibaneis Rocha no DF

Oposição protocola pedidos de impeachment contra governador Ibaneis Rocha no Distrito Federal

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha do MDB, tornou-se alvo de dois pedidos de impeachment protocolados na Câmara Legislativa do DF. As ações ocorrem no contexto das investigações envolvendo o Banco Master e as negociações do BRB, banco público controlado pelo governo distrital, para tentar adquirir a instituição financeira.

Os documentos justificam que Ibaneis cometeu crimes de responsabilidade durante o processo, que são infrações político-administrativas cometidas por autoridades que atentam contra a Constituição e o funcionamento das instituições. No entanto, os pedidos ainda não começaram a tramitar oficialmente na Casa.

Quem apresentou os pedidos de impeachment?

Os pedidos foram assinados por diferentes grupos políticos da oposição:

  • Pedido 1: Assinado por quatro membros do PSB-DF – Rodrigo Dias, Rodrigo Rollemberg, Ricardo Capelli e Leonardo Pinheiro –, pelo presidente do Cidadania-DF, Cristovam Buarque, e pelos advogados Rodrigo Pedreira e Lynecker Juliano.
  • Pedido 2: Assinado por três membros do PSOL-DF – a presidente regional Giulia Tadini e os deputados distritais Fábio Félix e Max Maciel.

Para que os processos avancem, é necessário o aval do presidente da Câmara Legislativa, Wellington Luiz do MDB-DF, aliado e colega de partido de Ibaneis. Na última segunda-feira, Wellington afirmou que só se manifestará sobre os pedidos após o fim do recesso legislativo.

Contexto dos pedidos e acusações

O governo do DF, como acionista controlador do BRB com 71,92% do capital, apoiou publicamente a tentativa de compra do Banco Master ao longo de 2025. A operação, no entanto, foi barrada pelo Banco Central após suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito no valor de R$ 12,2 bilhões. O BRB já havia injetado R$ 16,7 bilhões no Master entre 2024 e 2025, com o Ministério Público apontando indícios de gestão fraudulenta nessas transferências.

Ibaneis admitiu ter se reunido pelo menos quatro vezes com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, mas negou discutir a compra nesses encontros.

Crimes atribuídos a Ibaneis nos pedidos

No pedido 1, assinado por PSB, Cidadania e advogados, são listados sete crimes de responsabilidade:

  1. Omissão dolosa em tornar efetiva a responsabilidade de subordinados.
  2. Expedição de atos e diretrizes contrárias à Constituição.
  3. Procedimento incompatível com a dignidade, honra e decoro do cargo.
  4. Ordenação de despesas e operações financeiras sem autorização legal prévia.
  5. Efetivação de operações de crédito sem autorização legislativa.
  6. Abertura de compromissos financeiros sem observância das formalidades legais.
  7. Negligência na guarda e conservação do patrimônio público.

No pedido 2, do PSOL, os crimes destacados incluem:

  • Atentado à probidade na administração e ao emprego do dinheiro público.
  • Negligência com o patrimônio, expondo o BRB a riscos incompatíveis com a boa administração.

Pedidos de investigação ao MPF

Além dos pedidos de impeachment, Ibaneis Rocha foi alvo de dois pedidos de investigação enviados ao Ministério Público Federal (MPF). O primeiro, apresentado pelo deputado Fábio Félix do PSOL, solicita a apuração de irregularidades na tentativa de compra do Master e o bloqueio de bens do governador. O segundo, enviado por partidos como PT, Rede, PDT, PCdoB e PV, pede a investigação de possíveis crimes e atos de improbidade administrativa, incluindo o afastamento de Ibaneis durante as apurações.

Como funciona o processo de impeachment no DF?

Para que o impeachment prossiga na Câmara Legislativa do DF, são necessárias várias etapas:

  1. Aceitação da denúncia pelo presidente da Casa, Wellington Luiz.
  2. Leitura do pedido em Plenário.
  3. Criação de uma Comissão Especial com representantes de todos os partidos, que deve emitir parecer em até 10 dias.
  4. Votação do parecer em Plenário, com decisão sobre o prosseguimento.
  5. Se aprovado, o denunciado tem 20 dias para apresentar defesa.
  6. Após produção de provas, o processo segue para discussões e votação final, exigindo aprovação por 2/3 dos deputados distritais.

As investigações e processos políticos continuam em andamento, com expectativa de movimentações após o recesso legislativo.