Disputa pela vaga de vice na chapa de Tarcísio mobiliza partidos da base governista em São Paulo
A decisão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) de desistir da pré-candidatura presidencial e focar na reeleição ao governo paulista em outubro desencadeou uma intensa movimentação política entre os partidos da base governista. O centro das atenções é a vaga de vice na chapa, atualmente ocupada por Felício Ramuth (PSD), que assumiu interinamente o governo em várias ocasiões durante as viagens internacionais de Tarcísio.
PSD busca manter a posição com dois nomes em jogo
Dentro do PSD, dois nomes emergem como possíveis candidatos à vice-governadoria. O atual secretário de governo, Gilberto Kassab, presidente nacional do partido, declarou publicamente que se sentiria "privilegiado" se convidado para a posição. Kassab anunciou que deixará o cargo nos próximos dias para dedicar-se às articulações políticas do PSD.
Paralelamente, o atual vice-governador Felício Ramuth busca a manutenção de seu posto. Internamente, assessores de Tarcísio indicam que o governador prefere manter Ramuth para evitar desgastes com a base aliada. O PSD fortaleceu sua posição ao conquistar 206 prefeituras nas eleições municipais de 2024, demonstrando capilaridade eleitoral crucial para a campanha de reeleição.
PL e MDB pressionam por participação na chapa
O PL, partido da família Bolsonaro com a maior bancada de apoio na Assembleia Legislativa, mobiliza-se para indicar o presidente da Alesp, deputado estadual André do Prado, como vice na chapa. O presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, argumenta que o partido é imprescindível para a governabilidade no estado e promete investir pesado na candidatura.
Já o MDB articula para que o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, ocupe a vaga. A estratégia emedebista visa preparar Nunes para uma futura candidatura ao governo em 2030, uma vez que Tarcísio não poderá disputar novamente o cargo estadual se reeleito. Nunes declarou publicamente que "o que o Tarcísio me pedir, não tenho como negar", embora tenha afirmado anteriormente que não seria candidato em 2026.
Complicações políticas e alianças em jogo
A articulação do MDB enfrenta um obstáculo significativo: o vice-prefeito de São Paulo, coronel Mello Araújo (PL), indicado pela família Bolsonaro. Auxiliares de Nunes consideram Araújo "inexperiente e de pouco traquejo político", temendo que sua eventual ascensão à prefeitura possa prejudicar a carreira política do prefeito.
Enquanto isso, o PL também negocia uma vaga ao Senado, inicialmente destinada a Eduardo Bolsonaro e agora considerada para Michelle Bolsonaro, esposa do ex-presidente. A ideia seria criar um contraponto às candidaturas de Simone Tebet (MDB) e Marina Silva (Rede) no campo oposicionista.
Oposição prepara nomes fortes para desafiar Tarcísio
No campo oposicionista, articula-se a candidatura de Fernando Haddad (PT) ou Simone Tebet (MDB) ao governo paulista. Haddad, que disputou com Tarcísio em 2022, anunciou que deixará o Ministério da Fazenda em fevereiro, mas ainda não confirmou intenção de concorrer. Caso desista, Tebet emerge como alternativa, com Marina Silva disputando uma vaga ao Senado.
O PSOL também planeja lançar a deputada federal Érika Hilton para o governo paulista, aguardando definições sobre a reeleição de Lula à presidência.
Decisão final e prazos eleitorais
Aliados de Tarcísio são unânimes em afirmar que a decisão final sobre a composição da chapa caberá exclusivamente ao governador. O prazo para homologação das chapas e registro oficial de candidaturas na Justiça Eleitoral é 15 de agosto, conforme determinação do Tribunal Superior Eleitoral.
A disputa pela vice-governadoria reflete a complexa teia de alianças que sustenta o governo paulista e antecipa as estratégias eleitorais para outubro, quando os eleitores decidirão o futuro político do estado mais populoso do país.