O Irmão Rogério Renato Mateucci, de 53 anos, foi reconduzido ao cargo de reitor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) no dia 6 de janeiro de 2026. Em entrevista, ele reafirmou a continuidade de um trabalho baseado em três pilares principais: inovação tecnológica, impacto social e formação humanista.
À frente de uma das instituições privadas mais bem avaliadas do Brasil, Mateucci falou sobre os desafios do ensino superior, a valorização da ciência e o papel crucial das políticas de inclusão, com um posicionamento firme em defesa do sistema de cotas.
Inovação e Pesquisa Alinhadas ao Mercado
Questionado sobre as mudanças entre seu primeiro mandato e o novo período, o reitor foi claro: a recondução representa a confirmação de um caminho considerado acertado. A universidade segue um planejamento estratégico aprovado pela comunidade acadêmica.
Entre os marcos da gestão anterior que lhe trazem orgulho, ele destaca a inauguração, em 2022, do Centro de Realidade Estendida. O espaço, com 4 mil metros quadrados e tecnologias imersivas, está aberto a todos os cursos e simboliza o compromisso da PUCPR com a inovação.
Na área de pesquisa, houve avanços significativos. Na última avaliação da Capes, nove programas de mestrado e doutorado da instituição subiram de conceito. Toda a pesquisa stricto sensu está integrada ao ecossistema Hotmilk, que conecta academia, inovação e empreendedorismo.
Para Mateucci, o maior dilema atual do ensino superior é superar a desvalorização da ciência. “A ciência se legitima quando se volta para os grandes problemas da sociedade”, afirma. Ele cita as pesquisas em energias renováveis como exemplo de temas centrais e atuais.
Inclusão Social como Pilar do Desenvolvimento
A PUCPR mantém uma série de ações voltadas para a comunidade. Um dos exemplos é o Vestibular Social Vila Torres, direcionado a moradores da comunidade próxima, que garante bolsa integral e permanência aos aprovados.
Outras iniciativas incluem o Programa Vizinhança, que oferece atendimentos em clínicas da universidade, e a Casa de Francisco e Clara, projeto inspirado no Papa Francisco e focado em economia solidária para apoiar pequenos empreendedores.
Sobre o sistema de cotas, o reitor foi enfático. Atualmente, a PUCPR tem cerca de 5 mil alunos de graduação beneficiados por programas como ProUni e Fies. Ele observa que esses estudantes valorizam profundamente a oportunidade e aproveitam a estrutura oferecida.
“Não só vieram como devem ficar”, declarou Mateucci sobre as cotas. “Retirar as cotas seria um retrocesso para a democracia”, completou, defendendo que é impossível pensar no desenvolvimento social do país sem tais políticas. Como ponto de melhoria, ele aponta a necessidade de ampliar as bolsas de permanência, que cobrem despesas como transporte e alimentação.
O Diálogo entre Fé, Ética e Tecnologia
Como universidade católica, a PUCPR busca um equilíbrio entre o técnico e o humano. O reitor explica que a instituição defende que a formação técnica deve caminhar junto com a formação humana, valorizando empatia, ética e compromisso social.
De forma simbólica, ele menciona que a universidade entrega, junto com o diploma, um “diploma de gente boa”. Esses valores são trabalhados por meio de projetos, ações formativas e iniciativas solidárias com impacto real no desenvolvimento dos estudantes.
Sobre a nova geração, Mateucci se surpreende com a solidariedade, exemplificada com a mobilização de alunos para ajudar nas vítimas da tragédia no Rio Grande do Sul. A preocupação, no entanto, reside na velocidade das transformações e num possível comodismo diante da necessidade de desenvolver novas competências para um mundo em rápida mudança.
O novo mandato do reitor na PUCPR, portanto, se consolida como uma continuação de um projeto que busca aliar excelência acadêmica e tecnológica com um forte compromisso social e ético, considerando a inclusão via cotas como um elemento fundamental e irreversível para o progresso democrático do país.