Petrobras demite diretor após pressão presidencial por gás de cozinha mais acessível
O conselho de administração da Petrobras tomou uma decisão drástica nesta segunda-feira, 6 de abril de 2026, ao demitir o diretor responsável pelas áreas de vendas e formação de preços de combustíveis da companhia, Cláudio Schlosser. A medida ocorreu em resposta às duras críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre um recente leilão de gás de cozinha realizado pela estatal.
Leilão polêmico e reação do governo federal
O ponto de discórdia foi um leilão de GLP (gás liquefeito de petróleo) realizado pela Petrobras no dia 31 de março de forma online, que registrou ágios impressionantes de até 117% sobre o preço normal do gás de cozinha nas refinarias. Em entrevista ao canal de televisão Record, o presidente Lula não poupou palavras ao condenar a operação, comparando-a a episódios anteriores envolvendo o óleo diesel.
"Foi feito um leilão, com a cretinice e a bandidagem que fizeram com o óleo diesel. As pessoas sabiam da orientação do governo e da Petrobras: 'não vamos aumentar o GLP'", declarou o mandatário com veemência. "Vamos rever esse leilão, vamos anular esse leilão. O povo pobre não pagará, em hipótese alguma, o preço dessa guerra", concluiu Lula, referindo-se ao conflito internacional que afeta os preços globais de combustíveis.
Reestruturação na cúpula da estatal
Com a saída de Schlosser, que estava na Petrobras há quase quarenta anos e assumira o cargo na diretoria em 2023 durante a gestão do ex-presidente Jean Paul Prates, a companhia anunciou uma série de mudanças em sua estrutura executiva:
- Angélica Laureano, atual diretora de Transição Energética da estatal, assume o cargo de diretora de Logística, Comercialização e Mercados
- William França, diretor de Processos Industriais e Produtos, passa a acumular a função de diretor de Transição Energética
- Marcelo Weick Pogliese foi eleito como novo presidente do conselho de administração, substituindo Bruno Moretti
Moretti deixou a presidência do conselho no mês anterior para assumir o Ministério do Planejamento do governo Lula, em uma movimentação que já indicava mudanças na governança da empresa.
Contexto internacional e impacto no mercado brasileiro
A guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã tem exercido pressão significativa sobre os preços de combustíveis em escala global, criando um cenário desafiador para o abastecimento doméstico. No Brasil, aproximadamente 25% do gás de cozinha consumido é importado, enquanto os restantes 75% são produzidos pela própria Petrobras.
Até então, o preço do GLP mantinha-se estável desde o final de 2024, sem variações há mais de um ano completo. Contudo, a estabilidade não resistiu aos efeitos em cascata do conflito internacional, com os valores começando a apresentar tendência de alta que preocupou tanto o governo quanto os consumidores brasileiros.
A demissão do diretor e as declarações presidenciais refletem a sensibilidade do tema do gás de cozinha para as famílias de baixa renda no país, especialmente em um contexto econômico onde o controle de preços de itens básicos torna-se uma prioridade governamental. A promessa de anulação do leilão polêmico indica que a Petrobras deverá revisar seus mecanismos de formação de preços para alinhar-se às diretrizes do Palácio do Planalto.



