Lançamento do Novo Desenrola Brasil
O Novo Desenrola Brasil, lançado nesta segunda-feira (4), traz novas modalidades de renegociação de dívidas, com prazos de pagamento estendidos e acesso facilitado ao crédito. Nesta edição, o programa passa a atender também empresas, além das pessoas físicas. Segundo o governo, o elevado endividamento compromete o consumo e a atividade produtiva, especialmente entre pequenos negócios, que concentram a maior parte dos empregos no país e enfrentam mais dificuldades para obter crédito em momentos de aperto financeiro. Confira abaixo como funcionará o segmento voltado aos empresários.
Categorias de negócios
O Desenrola Empresas opera a partir de ajustes em políticas já existentes, principalmente no Pronampe e no Procred, que agora contam com regras mais flexíveis, prazos maiores e maior tolerância a atrasos. A mudança abrange negócios negativados ou com pequenos atrasos, permitindo a troca de dívidas de curto prazo e juros elevados por financiamentos mais fáceis de administrar.
O público-alvo inclui microempresas, empresas de pequeno porte e microempreendedores individuais (MEIs), dentro dos limites de faturamento estabelecidos em lei. As condições de acesso variam conforme o porte do negócio.
Microempresas
Para negócios com faturamento anual de até R$ 360 mil, atendidos principalmente pelo Procred, o novo Desenrola prevê mudanças na estrutura dos financiamentos. Uma das principais alterações é a ampliação do prazo de carência, período em que a empresa ainda não começa a pagar as parcelas. Esse intervalo passa de até 12 para até 24 meses, criando uma margem maior para que o empreendedor reorganize as finanças.
O prazo total do financiamento também foi ampliado. Antes limitado a 72 meses, agora pode chegar a 96 meses. Com isso, o valor das parcelas é diluído ao longo do tempo, reduzindo a pressão mensal sobre o caixa do negócio.
Outro ponto é o aumento da tolerância a atrasos. Pelas regras anteriores, empresas com mais de 14 dias de atraso já encontravam obstáculos para contratar novas operações. Com o novo Desenrola, o limite passa a ser de 90 dias, considerando que oscilações temporárias de caixa são comuns entre pequenos negócios.
O limite de crédito disponível também foi ampliado. O teto deixa de ser 30% do faturamento anual e passa para 50%, com valor máximo de R$ 180 mil por empresa. No caso de microempresas comandadas por mulheres, esse percentual pode chegar a 60% do faturamento, como forma de incentivo ao empreendedorismo feminino.
Micro e pequenas empresas
Para micro e pequenas empresas com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões, as mudanças se concentram no Pronampe, linha criada durante a pandemia e que se consolidou como uma das principais fontes de crédito para esse segmento. O prazo de carência foi ampliado para até 24 meses, e o prazo máximo de pagamento passou de 72 para 96 meses. A proposta é dar fôlego para que empresas endividadas consigam se reorganizar antes de retomar os desembolsos.
A tolerância a atrasos também foi ampliada, passando de 14 para 90 dias. A medida evita o bloqueio automático do acesso ao crédito em situações de dificuldade financeira temporária.
Outra mudança é o aumento do limite máximo de crédito, que sobe de R$ 250 mil para R$ 500 mil. Segundo o governo, a intenção é ampliar o acesso a recursos para capital de giro e criar condições para que empresas substituam dívidas mais caras, como cheque especial empresarial ou empréstimos de curto prazo, por financiamentos com juros menores e prazos mais longos.
Como funcionam as garantias
Um dos principais elementos do Desenrola Empresas é o uso do Fundo Garantidor de Operações (FGO). O fundo funciona como uma proteção para os bancos, ao assumir parte das perdas em caso de inadimplência. Com isso, o risco das operações diminui. Com menor risco, as instituições financeiras conseguem oferecer juros mais baixos e prazos mais longos, mesmo para empresas com histórico recente de atrasos ou com restrições no nome.
Esse modelo diferencia o novo Desenrola de uma renegociação comum entre banco e cliente. Ao assumir parte do risco, o governo tenta ampliar o acesso ao crédito para quem enfrenta mais barreiras no mercado.
Como participar
As empresas interessadas não precisam acessar um site do governo nem se cadastrar em uma plataforma centralizada. O acesso ocorre diretamente nas instituições financeiras participantes, pelos canais habituais de crédito. Cabe ao banco verificar se a empresa se enquadra nos critérios, como faturamento, programa aplicável e tipo de operação, e apresentar as condições previstas nas novas regras. O governo não renegocia as dívidas diretamente, mas estabelece os parâmetros para que esse redesenho do crédito seja feito.
No caso dos microempreendedores individuais, a situação pode variar. Dependendo do tipo de dívida, o MEI pode acessar tanto as condições destinadas a pessoas físicas quanto as linhas voltadas a empresas, desde que cumpra os critérios de cada frente.
Além da linha empresarial, o programa mantém frentes voltadas às famílias, com renegociação de dívidas de consumo e descontos que podem chegar a 90%, aos estudantes com débitos do Fies, com abatimentos que podem alcançar 99% para inscritos no CadÚnico, e aos agricultores familiares, com a prorrogação do Desenrola Rural até 2026. Essas frentes seguem regras próprias e funcionam de forma paralela à linha voltada às empresas.



