André Mendonça usa caso de Ciro Nogueira para dar recado a figurões do poder
Mendonça manda recado a figurões com caso Ciro Nogueira

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), utilizou o caso do senador Ciro Nogueira (PI), presidente do Progressistas, para enviar um recado direto às altas esferas do poder. Na quinta-feira, 7 de maio de 2026, ele autorizou a Polícia Federal a realizar buscas e apreensões em endereços do parlamentar, no âmbito da Operação Compliance, que investiga o escândalo do Banco Master.

O escândalo do Master

Considerada uma das maiores fraudes bancárias da história do Brasil, com prejuízo estimado em pelo menos 50 bilhões de reais, o caso Master abalou a Praça dos Três Poderes desde sua revelação, no ano anterior. Desde então, políticos e magistrados tentaram conter o avanço das investigações por meio de manobras como a obstrução do trabalho da Polícia Federal e o arquivamento de propostas de CPI no Congresso. O objetivo era restringir o escândalo ao sistema financeiro e proteger autoridades dos Três Poderes que teriam contribuído para o esquema e recebido vantagens ilícitas.

O recado de Mendonça

Ao autorizar a ação contra Ciro Nogueira, Mendonça rompeu o dique que os poderosos tentavam erguer. Nogueira não é um político comum: é o principal nome do Centrão, grupo que controla as votações no Congresso. Ex-aliado de Lula e Dilma Rousseff, foi ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, gerenciando o chamado orçamento secreto e a relação com os parlamentares. Para as eleições de 2026, formou uma federação entre seu partido e o União Brasil, criando a maior bancada da Câmara e o maior fundo eleitoral, tornando-se alvo de cortejos de presidenciáveis. A federação inclusive negocia a indicação de um vice para a chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

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Esse histórico não intimidou o ministro. Mendonça autorizou a PF a investigar o senador sob suspeita de receber mesadas de 300 mil a 500 mil reais, além de outras vantagens, para atuar como despachante dos interesses de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, no Congresso. Na decisão, o ministro destacou: “O parlamentar detém o controle e figura como principal beneficiário das condutas relacionadas à execução material de atos de lavagem de capitais sob investigação”.

A mensagem é clara: se um político tão influente foi alcançado, a investigação pode atingir qualquer figurão da República.

Defesa de Ciro Nogueira

Por meio de nota de seus advogados, o senador Ciro Nogueira repudiou “qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”. Os defensores afirmaram que “as medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade”.

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