Estudo revela impacto do ruído antropogênico na comunicação das baleias
No Estreito de Gibraltar, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Aarhus acompanhou as conversas de 18 baleias de barbatana longa e identificou que elas costumam aumentar o volume de seus chamados para compensar outros ruídos que se sobrepõem aos delas, como os de embarcações. A pesquisa foi publicada nesta quinta-feira no Journal of Experimental Biology.
Diferente dos ambientes terrestres, o som viaja com mais rapidez dentro da água, o que, de acordo com o artigo, torna esse tipo de comunicação a ideal para os cetáceos, os mais conhecidos mamíferos marinhos. Principal fator dentro da pesquisa, o ruído antropogênico é um tipo de barulho emitido por atividades humanas visto como poluição em ambientes marinhos.
Considerado um problema pela União Europeia e pelas Nações Unidas, barulhos que se espalham dentro da água, como os de embarcações, podem atrapalhar a vida marinha e especialmente confundir seus sinais, já que esses ruídos com frequência se sobrepõem aos sinais emitidos por diversos tipos de cetáceos, como baleias e golfinhos.
Efeito de Lombard em cetáceos
A pesquisa analisou, em especial, as respostas de Lombard da baleia de barbatana longa. Esse fenômeno acontece quando animais (tanto terrestres quanto marinhos) aumentam suas vozes para compensar barulhos externos. Mais de 1.300 chamados entre os cetáceos foram observados.
De acordo com o observado, as baleias de barbatana longa costumam aumentar o volume de seus chamados em até 0,5 decibel para cada decibel de ruído externo que atrapalhe suas conversas. Apesar de frequente, essa compensação é parcial e não cobre por completo o volume dos ruídos antropogênicos que atrapalham seus sons.
Outros dados da pesquisa também sugerem que, em períodos de alto barulho de embarcações, esses animais costumam diminuir ou até mesmo cessar temporariamente qualquer tipo de vocalização. Espécies como as baleias jubarte ou as belugas também já demonstraram o mesmo comportamento.
Estratégias de comunicação
O efeito de Lombard, ou seja, o aumento na vocalização como forma de compensar, não é a única estratégia animal relacionada aos sons que surge com objetivos similares. O artigo indica que, nos cetáceos, mudar a frequência dos chamados ou a duração em si do sinal também funcionam como métodos de contornar os problemas gerados por ruídos antropogênicos.
A equipe usou tags nas baleias para captar seus sons embaixo da água. Os pesquisadores destacam que a poluição sonora marinha é uma ameaça crescente e que entender esses mecanismos é crucial para a conservação das espécies.



