Flávio Bolsonaro avança em pesquisas, mas enfrenta cobranças por propostas concretas
A pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República em 2026 tem sido marcada por um crescimento significativo nas intenções de voto, impulsionado principalmente pela força do sobrenome Bolsonaro. No entanto, analistas políticos e aliados do Centrão alertam que esse avanço eleitoral pode ser insuficiente sem a apresentação de um projeto de governo claro e uma mudança no tom do discurso.
Transferência hereditária de votos e alta rejeição
Segundo análise do colunista Mauro Paulino, o crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas reflete uma transferência quase automática de votos associada à marca familiar, ainda muito presente no eleitorado brasileiro. "O que existe até aqui é uma candidatura de sobrenome", avaliou Paulino em entrevista ao programa Ponto de Vista.
Esse avanço, porém, não resolve problemas centrais identificados pelos especialistas:
- Alta taxa de rejeição entre eleitores
- Ausência de propostas claras de governo
- Falta de diálogo com setores estratégicos
Pressão do PL por mudança de rota
O próprio Partido Liberal (PL) tem cobrado ajustes na estratégia do pré-candidato. O presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, defende publicamente que Flávio Bolsonaro reduza o discurso de confronto e passe a expor propostas concretas com foco em:
- Gestão eficiente
- Autonomia política
- Pragmatismo administrativo
"O povo está cansado de encrenca", afirmou Valdemar, sugerindo que o senador adote uma linguagem mais próxima do mercado, do Centrão e do eleitorado fora da bolha ideológica.
Lançamento improvisado e falta de articulação
Outro ponto crítico destacado por analistas foi a forma como a pré-candidatura foi anunciada. Segundo Paulino, o lançamento pegou de surpresa até setores do próprio partido e gerou desconforto imediato entre legendas do Centrão, que preferiam uma construção política mais articulada.
"O lançamento foi um desperdício", avaliou o analista. "Não houve articulação, nem conversa, nem estratégia de marketing político. Isso é básico." Muitos desses aliados mantinham expectativas em relação ao nome do governador Tarcísio de Freitas, o que complicou ainda mais o cenário de alianças.
Desafios para transformar capital político em candidatura viável
Apesar das falhas estratégicas, especialistas reconhecem que o desempenho de Flávio Bolsonaro nas pesquisas é relevante e não pode ser ignorado. O grande desafio, no entanto, será transformar o capital herdado do sobrenome em uma candidatura estruturada.
Para sustentar o crescimento eleitoral, será necessário:
- Apresentar um programa de governo detalhado
- Construir alianças sólidas com partidos de centro
- Reduzir a rejeição junto ao eleitorado moderado
- Demonstrar capacidade de gestão e pragmatismo
Paulino ressalta que "a partir desse lançamento de supetão, será preciso fazer política de verdade: conversar, articular e apresentar propostas". Sem esses ajustes, o crescimento nas pesquisas pode se mostrar frágil diante das exigências do eleitorado de centro – tradicionalmente considerado o fiel da balança nas eleições presidenciais brasileiras.
Cenário pré-eleitoral e comportamento parlamentar
A volta do recesso do Congresso e do Judiciário em um ano pré-eleitoral intensificou a movimentação política em Brasília. Como é comum em períodos eleitorais, o foco dos parlamentares tende a migrar da agenda institucional para a sobrevivência política individual.
"Todas as atitudes passam a ser voltadas para facilitar interesses eleitorais. Isso é natural e recorrente", explicou Paulino, destacando como esse contexto afeta diretamente a construção da candidatura de Flávio Bolsonaro.
A avaliação interna no PL indica que, sem os ajustes solicitados, será difícil atrair apoios fundamentais de partidos como PP e União Brasil – aliados estratégicos para qualquer projeto presidencial bem-sucedido.