Estátua de Iemanjá em Teresina sofre novo ataque de intolerância religiosa
Novo ataque a estátua de Iemanjá em Teresina investigado

Estátua de Iemanjá em Teresina sofre novo ataque de intolerância religiosa

A imagem de Iemanjá, localizada na Avenida Marechal Castelo Branco, na Zona Sul de Teresina, acumula um histórico preocupante de ataques, episódios de intolerância religiosa e preconceito. No dia 1º de fevereiro, véspera do Dia Nacional de Iemanjá, celebrado em 2 de fevereiro, a escultura voltou a ser danificada, reforçando um padrão de violência que tem mobilizado autoridades e comunidades religiosas.

Detalhes do ataque mais recente

No ataque mais recente, ocorrido no domingo (1º), o vidro do aquário de proteção foi quebrado e uma das mãos da imagem foi danificada. A delegada Bruna Verena, diretora de Proteção à Mulheres e aos Grupos Vulneráveis da Polícia Civil do Piauí, afirmou em entrevista à TV Clube que as primeiras providências para identificar os suspeitos foram tomadas ainda no dia da ocorrência.

"Ainda no final de semana, nós realizamos as primeiras providências, como solicitação de perícia, registro de boletim de ocorrência e localização de imagens. Vamos tentar localizar todas as imagens que possam ter capturado esse fato e chegar até a autoria", disse a delegada, destacando o compromisso da polícia em investigar o caso.

Histórico de violência contra a escultura

Esse não foi o primeiro registro de violência contra a escultura. Em junho de 2024, o aquário que protege a imagem foi parcialmente destruído a pedradas durante a madrugada. Na ocasião, os Povos de Terreiro do Piauí denunciaram o caso à Polícia Civil e afirmaram que o ataque atingia diretamente a liberdade religiosa e a dignidade das comunidades tradicionais.

Antes da instalação da imagem atual, a antiga escultura de Iemanjá, que era inspirada em Nossa Senhora dos Navegantes, também foi alvo de repetidos atos de vandalismo. A inauguração da nova imagem, em abril de 2024, marcou um momento simbólico para os povos de terreiro, pois pela primeira vez, Iemanjá passou a ser representada no Piauí com feições de mulher preta, em referência às origens africanas da orixá.

Racismo estrutural e intolerância persistente

Pouco após a instalação, a escultura passou a sofrer ataques racistas nas redes sociais, levando lideranças religiosas a denunciarem dezenas de perfis à Delegacia de Proteção aos Direitos Humanos. Para representantes das religiões de matriz africana, a repetição dos ataques evidencia a persistência do racismo estrutural e da intolerância religiosa no Brasil.

Eles defendem que os casos não sejam tratados como vandalismo isolado, mas como crimes que violam a liberdade de crença e atingem o patrimônio cultural, exigindo uma resposta mais firme das autoridades.

Como denunciar intolerância religiosa

Casos de intolerância religiosa podem ser denunciados à Polícia Civil, por meio do registro de boletim de ocorrência, ou diretamente à Delegacia de Proteção aos Direitos Humanos. No Piauí, é possível fazer denúncias anônimas e pelo WhatsApp com o B.O. Fácil, através do número 0800 086 0190.

Também é possível acionar o Disque 100, canal do governo federal para denúncias de violações de direitos humanos, que funciona 24 horas por dia, de forma gratuita e anônima. O crime de intolerância religiosa prevê pena de 2 a 5 anos de prisão e multa para quem impedir ou empregar violência contra manifestações ou práticas religiosas, com a pena podendo ser aumentada se o crime for cometido por duas ou mais pessoas.