Manifestação indígena em Roraima exige respostas sobre morte de líder comunitário
Uma mobilização massiva de povos indígenas tomou conta da região de Amajari, no Norte de Roraima, nesta terça-feira (17), em um ato que cobra justiça pela morte do jovem líder Gabriel Ferreira Rodrigues, de 28 anos, pertencente ao povo Wapichana. Com o lema "Quem matou Gabriel?", a manifestação reuniu aproximadamente 500 lideranças de diversas regiões do estado em um protesto contra a violência que atinge comunidades indígenas.
Trajeto simbólico refaz caminho até local do crime
O ato teve início pela manhã na comunidade Novo Paraíso, onde Gabriel residia, e seguiu por um trecho da rodovia RR-203, refazendo o trajeto percorrido pelo jovem até o ponto onde seu corpo foi encontrado em avançado estado de decomposição no dia 10 de fevereiro. Os manifestantes carregavam faixas e cartazes com palavras de ordem que exigiam a responsabilização dos envolvidos no assassinato.
De acordo com o Conselho Indígena de Roraima (CIR), que organizou a mobilização, participaram representantes das regiões de Surumu, Alto Cauamé, Baixo Cotingo, Raposa, Serras, Amajari, Serra da Lua, Tabaio e Murupu. O grupo se concentrou posteriormente em um local específico para ampliar o alcance do protesto.
Detalhes do caso e desaparecimento
Gabriel Ferreira Rodrigues era uma liderança atuante da Terra Indígena Araçá e foi encontrado morto após dez dias desaparecido. Segundo relatos familiares ao g1, ele havia saído de casa no dia 31 de janeiro para participar de um evento na comunidade Juracy, sendo visto pela última vez entre 6h e 7h da manhã do dia 1º de fevereiro no barracão da festa.
Moradores informaram à família que o jovem teria seguido em direção a uma fazenda próxima. Seu corpo foi localizado na RR-203, no município de Amajari, com sua moto e celular encontrados a cerca de 300 metros de distância. A identificação só foi possível através de exame de odontologia legal devido ao estado avançado de decomposição.
Exigências por investigação rigorosa
O CIR tem acompanhado o caso de perto e cobrado das autoridades uma apuração minuciosa. Em nota oficial, a organização declarou: "O CIR seguirá vigilante em todas as etapas da apuração e reafirma sua expectativa de investigação rigorosa, imparcial e célere, com a devida responsabilização dos envolvidos".
A Polícia Civil informou que as diligências continuam em andamento pela Delegacia de Pacaraima, sob comando do delegado Robin Felipe Barreto, mas não divulgou a causa da morte nem detalhes sobre possíveis suspeitos. Gabriel foi sepultado no último sábado (14) em Boa Vista.
Legado de um jovem guerreiro
Descrito pelo CIR como "jovem guerreiro" e "uma perda irreparável", Gabriel Ferreira Rodrigues era uma figura central no movimento indígena da região de Amajari. Ele atuava como coordenador regional da juventude de Amajari, comunicador da Rede Wakywaa de comunicadores indígenas e, mais recentemente, exercia a função de secretário regional, articulando ações junto a lideranças e diversas comunidades.
Em nota de pesar, o conselho destacou o compromisso inabalável do jovem com a luta coletiva pelos direitos dos povos originários. A manifestação desta terça-feira representa não apenas um pedido de justiça por Gabriel, mas também um protesto contra a violência sistemática que atinge lideranças indígenas em Roraima e em todo o país.



