Fluxo de venezuelanos cai 50% após prisão de Maduro, mas Roraima segue em alerta
Fluxo de venezuelanos cai 50% após prisão de Maduro

Fluxo migratório de venezuelanos para o Brasil registra queda expressiva em janeiro

A operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, no início deste mês, colocou o governo brasileiro em estado de atenção. As autoridades nacionais temiam um transbordamento iminente da crise venezuelana para o território brasileiro, com um aumento significativo no fluxo de pessoas cruzando a fronteira em Pacaraima, no Estado de Roraima.

Contudo, os dados oficiais revelam um cenário surpreendente. Em vez do esperado aumento, houve uma redução de quase 50% no número de venezuelanos entrando no Brasil durante o mês de janeiro, quando comparado ao mesmo período do ano anterior. Essa informação foi confirmada pela Polícia Federal, que registrou uma queda de 45,69% no fluxo migratório pela fronteira de Roraima.

Governador de Roraima analisa o fenômeno e alerta para riscos futuros

O governador de Roraima, Antonio Denarium, do Progressistas, em entrevista exclusiva, compartilhou sua análise sobre a situação. Ele acredita que a população venezuelana está atravessando um período de observação, aguardando os desdobramentos políticos em seu país de origem.

Denarium expressou preocupação com a possibilidade de um conflito interno na Venezuela, o que poderia reverter a tendência atual e provocar um novo aumento no fluxo de pessoas em direção ao Brasil. Se ocorrer uma guerra civil, resistência. Aí aumenta o fluxo de saída de venezuelanos do país, afirmou o governador.

Custos e desafios para o Estado de Roraima

O governador destacou os impactos financeiros e sociais que a crise migratória tem causado em Roraima. Segundo ele, aproximadamente 30% das ocorrências na saúde e na segurança pública do Estado são destinadas ao atendimento de venezuelanos.

Além disso, o sistema prisional estadual abriga cerca de 500 venezuelanos que foram condenados pela Justiça brasileira e cumprem pena no local. Denarium revelou que a manutenção do sistema prisional gera uma despesa anual entre R$ 50 milhões e R$ 60 milhões para os cofres estaduais.

Medidas propostas e críticas à legislação atual

Diante desse cenário, o governador tem feito uma série de solicitações ao governo federal. Entre elas, está a construção de um pavilhão exclusivo para presos estrangeiros dentro da penitenciária estadual, utilizando recursos federais que foram acordados recentemente.

Denarium também critica a atual legislação de imigração brasileira, considerando-a muito permissiva. Os venezuelanos entram no Brasil de qualquer forma, sem antecedente criminal, sem nenhum tipo de documento. As fronteiras estão abertas, declarou. Ele defende a criação de uma lei mais rigorosa, que exija, por exemplo, a apresentação de atestado de antecedentes criminais para a entrada de estrangeiros.

Contexto político e pessoal do governador

Antonio Denarium, um empresário e agropecuarista de 61 anos, está em seu segundo mandato como governador de Roraima. Ele assumiu o cargo prematuramente em 2018, nomeado interventor pelo então presidente Michel Temer, em meio a uma grave crise migratória, financeira e penitenciária no Estado.

Atualmente, Denarium enfrenta desafios em sua trajetória política. Ele teve o mandato cassado quatro vezes pelo Tribunal Regional Eleitoral por abuso de poder político e econômico, e o caso agora tramita no Tribunal Superior Eleitoral, sem uma decisão definitiva. O governador declara-se inocente e anunciou sua pré-candidatura ao Senado, planejando deixar o cargo em abril para disputar as eleições.

Panorama geral e perspectivas futuras

Apesar da redução recente no fluxo migratório, a situação na fronteira continua sendo um tema de alta complexidade. Denarium reforça a necessidade de uma maior fiscalização e segurança na extensa fronteira seca de Roraima, que possui mais de 2 mil quilômetros, muitos deles em áreas de floresta.

O governador também menciona a entrada de armamento e drogas provenientes da Venezuela e de países vizinhos, como Colômbia e Bolívia, destacando que Roraima acaba servindo como um corredor para essas atividades ilegais.

Enquanto aguarda os desdobramentos políticos na Venezuela e a definição de seu próprio futuro político, Denarium mantém o foco na gestão estadual e no diálogo com o governo federal, buscando soluções para os desafios impostos pela crise migratória e pela instabilidade regional.