O governo federal estabeleceu como uma de suas principais metas para o ano eleitoral de 2026 a aprovação do fim da escala de trabalho 6x1. A estratégia imediata passa pela redução da jornada máxima semanal para 40 horas, o que, na prática, eliminaria o formato de seis dias trabalhados por um de descanso.
Prioridade absoluta no calendário eleitoral
Em declaração dada durante o programa "Bom Dia, Ministro" na quarta-feira, 7 de janeiro de 2026, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, foi enfático ao classificar a proposta como prioridade. Ele demonstrou otimismo quanto à tramitação do projeto, afirmando ser "plenamente possível" conseguir a aprovação ainda dentro do calendário eleitoral deste ano.
Marinho defendeu que a medida, apesar do forte impacto no mercado, deve ser vista como uma oportunidade. Ele também fez um chamado para que os trabalhadores se mobilizem através de seus sindicatos e centrais para pressionar os parlamentares de seus estados, destacando que o diálogo com o Congresso Nacional é fundamental.
Impacto na saúde e no bem-estar dos trabalhadores
O ministro criticou duramente o modelo 6x1, classificando-o como "a mais cruel" ainda em prática em todo o mundo, com efeitos particularmente severos para as mulheres. Ele vinculou a mudança a uma melhoria direta na saúde e segurança no ambiente laboral.
"O mundo do trabalho que hoje gera muitas doenças, gera muitos problemas, gera muitos acidentes. Quanto mais você melhorar esse ambiente, você diminuirá a quantidade de acidentes e de doenças", argumentou Marinho, conectando a redução da jornada à promoção de um trabalho mais digno e saudável.
Negociação coletiva como caminho
Reconhecendo as particularidades de setores que operam em regime contínuo, como saúde, segurança e utilities, o ministro apontou a negociação coletiva como o mecanismo ideal para acomodar essas realidades. A ideia é que, dentro do novo limite legal, acordos setoriais possam definir os melhores arranjos para conciliar as necessidades das empresas com os direitos dos trabalhadores.
Para embasar seu otimismo, Luiz Marinho citou o caso recente da aprovação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Ele lembrou que o projeto, após amplo debate social, foi aprovado por unanimidade no Senado e na Câmara, um resultado que, em sua avaliação, não parecia possível no início da discussão.
Com a declaração pública do ministro, o fim da escala 6x1 e a redução da jornada para 40 horas semanais se consolidam como um dos grandes temas sociais e econômicos a serem debatidos no Congresso em 2026, com o governo demonstrando disposição de torná-lo uma bandeira eleitoral.