Fed é intimado pelo DOJ em meio a pressão política por corte de juros
Fed intimado pelo DOJ; Powell cita pressão política

O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, enfrenta uma crise político-institucional inédita após ser formalmente intimado pelo Departamento de Justiça do país. O anúncio foi feito pelo próprio presidente do Fed, Jerome Powell, em um vídeo divulgado na noite de domingo, 11 de janeiro de 2026.

Intimação e a Sombra da Interferência Política

A intimação judicial tem como pano de fundo supostas irregularidades nas reformas da sede do banco central. No entanto, Jerome Powell foi enfático ao desvincular o caso das obras. Em sua mensagem, ele sugeriu que a ação do Departamento de Justiça é, na verdade, uma retaliação à autonomia da política monetária do Fed.

Powell afirmou que o banco central mantém seu curso independente, resistindo a pressões externas por uma queda mais agressiva nas taxas de juros. Embora não tenha citado nomes, a declaração é um claro recado às pressões públicas do presidente Donald Trump, que tem defendido abertamente cortes mais profundos nos juros americanos.

Mercados Reagem e Agenda Econômica Fica Tensa

A escalada da tensão ocorre em uma semana crucial para os mercados financeiros globais. Nesta terça-feira, 13 de janeiro, será divulgado o dado oficial de inflação dos EUA. Na quarta-feira, 14 de janeiro, o Fed publica o Livro Bege, que compila as expectativas econômicas do país.

Esses eventos são prelúdio da próxima reunião de política monetária da instituição, marcada para a semana seguinte. A crise de credibilidade institucional já impactou os mercados: os futuros das bolsas americanas caíram na manhã desta segunda-feira, 12 de janeiro, em contraste com a tendência positiva em outros mercados internacionais.

Enquanto isso, o EWZ, fundo que replica o desempenho das ações brasileiras em Nova York, registrava avanços no pré-mercado.

Cenário Doméstico e Outras Acompanhações

No Brasil, a agenda econômica desta segunda-feira é considerada fraca, com destaque apenas para a atualização do Boletim Focus, que traz as projeções de mercado. Investidores também monitoram o desenrolar do escândalo do Banco Master.

No plano institucional brasileiro, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o diretor Ailton de Aquino, têm uma reunião marcada com o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo.

A intimação ao Fed coloca em xeque um dos pilares da economia global: a independência do banco central frente a ciclos políticos. O desfecho deste embate terá repercussões profundas não apenas para os Estados Unidos, mas para todas as economias interligadas, incluindo a brasileira.