O banco digital brasileiro PicPay deu um passo decisivo em sua expansão internacional. Nesta segunda-feira (5), a empresa sediada em São Paulo formalizou o pedido para realizar sua oferta pública inicial de ações (IPO) na bolsa de valores Nasdaq, nos Estados Unidos.
Números robustos sustentam a decisão
A movimentação financeira ocorre após um período de forte crescimento para a fintech. Nos nove meses encerrados em 30 de setembro de 2025, a PicPay registrou um lucro líquido de R$ 313,8 milhões. Esse valor representa um salto expressivo de aproximadamente 82% em comparação com os R$ 172 milhões apurados no mesmo intervalo do ano anterior.
A receita total da companhia também apresentou performance destacada, alcançando a marca de R$ 7,26 bilhões no período. No ano anterior, a receita nos nove meses havia sido de R$ 3,78 bilhões, indicando um crescimento vigoroso.
Base de clientes e eficiência em alta
A expansão do negócio é refletida no aumento da sua base de usuários. O total de clientes ativos da PicPay avançou de 37,5 milhões para 42,1 milhões até o final de setembro do ano passado.
Além do crescimento em volume, a empresa também melhorou sua eficiência monetária. A receita média trimestral por cliente ativo cresceu significativamente, de R$ 38,10 para R$ 65,40. Enquanto isso, o custo de atendimento por cliente teve um aumento moderado, passando de R$ 16,80 para R$ 17,80.
Outro indicador de destaque é o volume total de pagamentos (TPV), que atingiu a cifra de R$ 392,46 bilhões nos nove meses analisados. Este montante é cerca de 32% superior ao registrado no mesmo período de 2024.
Segunda tentativa e contexto de mercado
Esta é a segunda vez que a PicPay, controlada pela holding J&F – que também é proprietária da gigante de processamento de carnes JBS – tenta abrir seu capital nos Estados Unidos. A empresa havia abandonado planos anteriores de IPO em 2021, diante de condições desfavoráveis no mercado financeiro naquele momento.
O mercado de IPOs nos EUA, após quase três anos de ritmo fraco, começou a ganhar novo fôlego em 2025. No entanto, uma retomada mais consistente foi contida por uma série de fatores de volatilidade:
- As tarifas de importação implementadas pelo governo de Donald Trump.
- A paralisação prolongada do governo norte-americano.
- A queda das ações de empresas ligadas à inteligência artificial no final do ano passado.
Analistas do setor projetam que o mercado de aberturas de capital deve voltar a ganhar tração mais consistente em 2026. Diversas empresas de criptomoedas e fintechs já indicaram planos de seguir o mesmo caminho, incluindo o neobanco britânico Revolut, a plataforma de ativos digitais Kraken e o aplicativo japonês de pagamentos PayPay.
Detalhes da oferta e próximos passos
A PicPay pretende listar suas ações na Nasdaq sob o código “PICS”. Os recursos captados com a oferta pública inicial serão destinados a objetivos corporativos gerais da empresa. Entre as finalidades previstas estão:
- Capital de giro para operações.
- Cobertura de despesas operacionais.
- Atendimento a exigências regulatórias de capital.
- Investimentos estratégicos para o crescimento futuro.
A operação conta com o suporte de grandes instituições financeiras internacionais. Citigroup, BofA Securities e RBC Capital Markets atuam como coordenadores globais da oferta, liderando o processo que pode marcar um novo capítulo para uma das principais fintechs do Brasil no cenário global.