Paramount processa Warner por falta de transparência em acordo com Netflix
Paramount processa Warner por acordo com Netflix

A Paramount Global adotou uma postura mais agressiva em sua disputa corporativa com a Warner Bros. Discovery (WBD). A empresa entrou com uma ação judicial nos Estados Unidos, buscando frear o acordo firmado entre sua rival e a gigante do streaming, Netflix. O movimento legal ocorre após sucessivas rejeições da oferta de aquisição da Paramount pela Warner.

Batalha judicial por transparência

Em uma carta enviada aos acionistas da Warner Bros. Discovery nesta segunda-feira, 12 de janeiro de 2026, o CEO da Paramount, David Ellison, detalhou a ação movida em um tribunal do estado de Delaware. A Paramount alega que a WBD não divulgou informações financeiras essenciais sobre seu negócio com a Netflix, impedindo que os investidores avaliem adequadamente o acordo.

Ellison classificou a omissão como uma violação das práticas usuais de governança corporativa. "A administração da Warner não apresentou aos acionistas dados considerados essenciais", afirmou o executivo, sustentando que a falta de transparência bloqueia uma decisão informada por parte dos donos das ações.

Oferta rejeitada e garantia bilionária

A ofensiva judicial é mais um capítulo na tentativa da Paramount de adquirir a Warner Bros. Discovery. A empresa fez uma proposta de compra avaliada em US$ 30 por ação, estruturada integralmente em dinheiro. Para dar mais peso à oferta, a proposta mais recente incluía uma garantia pessoal de Larry Ellison, fundador da Oracle e pai do CEO da Paramount, considerado a quarta pessoa mais rica do mundo pela Forbes em 2025.

Mesmo com essa garantia excepcional, o conselho da Warner rejeitou a proposta, argumentando que ela não atendia a todas as suas preocupações. Na carta, David Ellison mantém que a oferta da Paramount é "superior" ao acordo fechado com a Netflix.

Disputa decidida pelos acionistas

Diante da resistência da administração da WBD, Ellison afirma que a disputa deverá ser resolvida diretamente pelos acionistas. O CEO da Paramount antecipou que, seja na assembleia anual da empresa ou em uma reunião extraordinária, "a Paramount indicará uma lista de diretores" que, uma vez eleitos, terão o dever de negociar a oferta de aquisição.

O período para apresentação antecipada de candidaturas ao conselho da Warner para a assembleia anual de 2026 será aberto em cerca de três semanas. Além disso, a Paramount anunciou que pretende propor uma mudança no estatuto social da WBD para exigir aprovação dos acionistas em caso de uma eventual separação da divisão Global Networks.

Ameaça de voto por procuração: Caso a Warner convoque uma assembleia antes da reunião anual, a Paramount diz que irá buscar procurações dos outros acionistas para votar contra a aprovação do acordo com a Netflix. "Essas ações, juntamente com nossa oferta pública de aquisição, garantem que você tenha a palavra final sobre qual oferta é melhor para você", escreveu Ellison na comunicação aos investidores.

A batalha judicial e a disputa por procurações configuram um raro enfrentamento público entre grandes estúdios de Hollywood, com o futuro de marcas icônicas e a estratégia no competitivo mercado de streaming em jogo.