A Natura &Co concluiu um capítulo significativo e turbulento de sua história ao finalizar a venda da Avon Internacional. A transação, concretizada no último dia de 2025, foi realizada por um valor simbólico de apenas 1 libra esterlina, conforme documento enviado pela empresa ao mercado nesta sexta-feira, 2 de janeiro de 2026.
Operação estratégica para conter sangria no caixa
A decisão de se desfazer da Avon Internacional por um preço tão baixo reflete a situação financeira crítica da unidade. A operação internacional da marca de cosméticos se tornou um grande dreno de recursos para o grupo Natura. Os números comprovam o prejuízo: somente no primeiro semestre de 2025, as perdas com a Avon Internacional, considerando os impactos cambiais, atingiram a marca de R$ 1 bilhão.
A compradora é a empresa de private equity Regent. É importante destacar que a venda não inclui todos os ativos globais da Avon. A Natura manteve sob seu controle duas partes estratégicas: o mercado russo da Avon e, crucialmente, toda a operação e os direitos da marca Avon na América Latina. Isso significa que a propriedade intelectual e os direitos econômicos da Avon na região latino-americana continuam pertencendo à Natura.
Linha de crédito e foco no core business
Como parte do acordo de venda, a Natura estabeleceu um suporte financeiro para facilitar a transição. A companhia se comprometeu a fornecer uma linha de crédito garantida de até US$ 25 milhões para a Avon Internacional. Este recurso, conforme detalhado em comunicado de setembro de 2025 e reafirmado agora, tem prazo de cinco anos a partir da primeira utilização e pode ser sacado até 31 de dezembro de 2026, desde que certas condições sejam cumpridas.
A Natura enfatizou que, durante o quarto trimestre de 2025, não realizou novos empréstimos para a Avon Internacional. A venda é apresentada pela empresa como um movimento central em sua estratégia de reestruturação. O objetivo declarado é otimizar as operações e concentrar todos os esforços e investimentos no seu negócio principal na América Latina, onde a Natura e a Avon mantêm presença consolidada e sinergias operacionais.
Conclusão de um ciclo desafiador
A conclusão desta venda marca o fim de um ciclo que começou com a aquisição da Avon, formando o Natura &Co, com a ambição de criar um gigante global de beleza. No entanto, a integração e a performance da Avon Internacional, especialmente em mercados como o Reino Unido, se mostraram extremamente desafiadoras, consumindo capital e atenção da administração.
Ao se desfazer desse ativo problemático, mesmo com um prejuízo contábil monumental, a Natura busca recuperar a saúde financeira e a agilidade estratégica. A empresa agora volta seu olhar integralmente para a fortaleza latino-americana, onde espera reconquistar a rentabilidade e o crescimento sustentável, deixando para trás uma aventura internacional que custou bilhões ao grupo.