GPA despenca 2,26% após saída do CFO; Santoro acumula funções
Ações do GPA caem com saída do CFO e incertezas

O mercado financeiro reagiu com preocupação às mudanças na cúpula do Grupo GPA nesta sexta-feira, 9 de janeiro de 2026. As ações da varejista figuraram entre as maiores baixas do Ibovespa após o anúncio da saída de seu diretor financeiro.

Mudança na liderança financeira gera volatilidade

Rafael Russowsky deixou os cargos de diretor financeiro (CFO) e de relações com investidores do GPA. Em seu lugar, assumiu de forma interina o próprio presidente executivo da companhia, Alexandre Santoro, que recentemente havia se tornado CEO. A concentração de duas das principais funções executivas em uma única pessoa foi vista com cautela pelos investidores.

No pregão, os papéis do GPA registravam uma queda expressiva de 2,26%, sendo negociados a R$ 3,89. A movimentação negativa destacou a sensibilidade do mercado a alterações na gestão da empresa, que passa por um delicado processo de reestruturação.

Análises apontam riscos e incertezas

Analistas de mercado rapidamente destacaram os potenciais riscos da mudança. O banco JPMorgan reiterou sua recomendação de venda para as ações do GPA. A instituição lembrou que Russowsky era o principal condutor de duas frentes críticas para a saúde financeira da companhia:

  • O processo de desalavancagem (redução de dívidas).
  • As tratativas complexas sobre passivos tributários.

A saída do CFO em um momento tão delicado, somada à acumulação de funções por Santoro – que também comanda um amplo programa de cortes de custos –, pode elevar o risco de execução dessas estratégias financeiras vitais. Especialistas ouvidos pelo Radar Econômico ressaltam que as frequentes mudanças na administração e no conselho mantêm um alto nível de incerteza sobre o futuro operacional e financeiro do grupo.

O que esperar do GPA?

A decisão de Santoro acumular o cargo de CFO interino coloca uma lupa sobre sua capacidade de gerir simultaneamente a estratégia geral da empresa e as minúcias financeiras. O mercado agora aguarda os próximos passos da companhia, que precisará:

  1. Estabelecer uma sucessão definitiva e qualificada para a diretoria financeira.
  2. Dar continuidade ao plano de desalavancagem sem solavancos.
  3. Transmitir clareza e estabilidade aos investidores para reconquistar a confiança.

O episódio desta sexta-feira serve como um alerta de como a governança e a permanência de executivos-chave são fatores cruciais para a percepção de risco e, consequentemente, para a valorização das ações no mercado de capitais brasileiro.