TCU extrapola limites e eleva insegurança jurídica, alerta economista
TCU excede atribuições e gera insegurança jurídica

Em entrevista ao programa Mercado, o economista-chefe Jason Vieira, da Lev DTVM, fez duras críticas à atuação do Tribunal de Contas da União (TCU) no caso envolvendo o Banco Master. Segundo o especialista, o tribunal extrapolou completamente seus limites institucionais, gerando ruído político e ampliando a percepção de insegurança jurídica no país.

Interferência em decisão técnica do Banco Central

Jason Vieira foi enfático ao afirmar que não cabe ao TCU fiscalizar a liquidação de um banco privado, uma atribuição técnica do Banco Central. “Não faz o menor sentido”, declarou o economista, ecoando alertas já emitidos pelo mercado financeiro sobre os riscos da interferência política em decisões técnicas da autoridade monetária.

Para Vieira, a movimentação do tribunal tem clara motivação política e potencial de “espirrar no Executivo”. Essa seria a razão pela qual integrantes do governo têm evitado se manifestar publicamente sobre o tema, conforme análise apresentada no dia 8 de janeiro de 2026.

Impacto direto na percepção de investidores

O economista destacou que episódios como esse reforçam uma sensação negativa, especialmente entre investidores estrangeiros, de que contratos e decisões podem ser revistos no Brasil de forma retroativa. “Aqui, nem o passado é certo”, resumiu Vieira, capturando a essência do problema de credibilidade institucional.

O efeito prático dessa insegurança, alerta o especialista, é direto sobre o fluxo de capitais. O Brasil registrou uma saída líquida relevante de recursos financeiros no ano anterior, situação que foi apenas parcialmente compensada pelo investimento direto de empresas já instaladas no país.

Consequências para a atração de investimentos

A perda de credibilidade institucional fragiliza ainda mais a capacidade do Brasil de atrair capital novo, exatamente no momento em que previsibilidade e segurança jurídica são fatores decisivos para a decisão do investidor. A interferência em processos técnicos cria um ambiente de incerteza que desestimula a entrada de novos recursos.

A análise de Jason Vieira serve como um alerta sobre os limites das instituições e o custo da politização de decisões que deveriam ser baseadas exclusivamente em critérios técnicos e regulatórios, sob a responsabilidade do Banco Central.