Ibovespa fecha em leve baixa de 0,13% com temor sobre independência do Fed
Ibovespa cai com preocupações sobre independência do Fed

O mercado financeiro brasileiro encerrou a sessão desta segunda-feira, 12 de janeiro de 2026, com um tom de cautela. O Ibovespa, principal indicador de desempenho das ações negociadas na B3, registrou uma queda discreta de 0,13%, fechando próximo aos 163,1 mil pontos.

Cenário Doméstico: Focus e Caso Banco Master em Foco

No front interno, a agenda econômica foi considerada fraca, com destaque para a divulgação do Boletim Focus. O relatório semanal do Banco Central mostrou que os economistas de instituições financeiras ajustaram levemente para baixo a expectativa para a inflação oficial deste ano. A projeção para o IPCA saiu de 4,06% para 4,05%, mantendo-se, portanto, dentro do limite superior da meta, que é de 4,5%. A visão predominante no mercado segue sendo a de que um ciclo de cortes na taxa básica de juros, a Selic, pode ter início em março.

Paralelamente, os investidores acompanham as discussões envolvendo a liquidação do Banco Master. Nesta tarde, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reuniu-se com o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo, e outros envolvidos no processo. Segundo Alison Correia, analista de investimentos e co-fundador da Dom Investimentos, a possibilidade de uma "desliquidação" parece descartada, mas o TCU ainda quer examinar toda a documentação, o que gera incertezas sobre os próximos capítulos desse caso.

Pressão Externa: Declarações de Powell Abalam Mercado

O principal fator de tensão veio do exterior, mais precisamente dos Estados Unidos. Declarações do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, causaram preocupação nos investidores globais. Powell indicou que o governo norte-americano o teria ameaçado com uma acusação criminal relacionada à reforma da sede do banco central.

Essa suposta interferência política na autoridade monetária mais poderosa do mundo levantou dúvidas sobre a independência do Fed, um pilar fundamental para a confiança dos mercados. Como reflexo imediato, os ativos americanos operaram em baixa, arrastando o sentimento negativo para outras praças, incluindo o Brasil.

Desempenho dos Bancos e Câmbio

Entre os papéis de maior peso no índice, as instituições financeiras tiveram desempenho majoritariamente negativo, espelhando a queda do Ibovespa. As maiores perdas ficaram com Itaú Unibanco (ITUB4), que recuou 0,90%, e Bradesco (BBDC4), com queda de 0,76%. Santander Brasil (SANB11) cedeu 0,47%. O Banco do Brasil (BBAS3) foi uma exceção, registrando uma valorização mínima de 0,05%.

No mercado de câmbio, o dólar comercial encerrou o dia em leve alta frente ao real. A moeda norte-americana foi cotada a R$ 5,37 na venda, pressionada pelo clima de aversão ao risco no exterior e pela busca por ativos considerados mais seguros em momentos de turbulência.

O dia foi marcado, portanto, pela combinação de um cenário doméstico sob observação, com o caso Banco Master e as projeções de inflação, e um fator externo de peso: a rara menção a uma ameaça à autonomia do Fed, que ressoou negativamente nos mercados de todo o mundo.