OMC alerta para pior crise no comércio global em 80 anos devido a conflitos geopolíticos
OMC alerta para pior crise no comércio global em 80 anos

OMC alerta para pior perturbação no comércio global em oito décadas

A diretora-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Ngozi Okonjo-Iweala, emitiu um alerta contundente durante a abertura da 14ª Conferência Ministerial da organização, realizada em Yaoundé, Camarões, nesta quinta-feira, 26 de março de 2026. Ela declarou que o sistema global de comércio enfrenta sua "pior perturbação em 80 anos", um cenário agravado pelo crescimento das tensões geopolíticas em diversas regiões do planeta.

Transformações irreversíveis na ordem mundial

Okonjo-Iweala enfatizou que os atuais desafios são sintomas de transformações mais profundas que estão abalando a ordem internacional estabelecida após a Segunda Guerra Mundial. "A ordem mundial e o sistema multilateral que conhecíamos mudaram irrevogavelmente. Não vamos recuperá-lo... Devemos olhar para o futuro", afirmou a diretora-geral, destacando que a resposta não está em buscar um retorno ao status anterior, mas sim em adotar uma visão prospectiva e ações concretas.

Impacto dos conflitos no Golfo e no Estreito de Ormuz

A turbulência na economia global está diretamente ligada ao fechamento do Estreito de Ormuz e ao conflito mais amplo envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã na região. Okonjo-Iweala apontou que a escala dos problemas desestabilizou o comércio de energia, fertilizantes e alimentos, mesmo antes do agravamento do conflito no Golfo. Embora 72% das transações mundiais ainda ocorram sob as regras da OMC, a instituição vem sendo minada pelo questionamento do multilateralismo.

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Advertências sobre a inação governamental

O secretário-geral da Câmara de Comércio Internacional, John Denton, reforçou as preocupações, alertando que a crise atual pode se tornar a mais grave da história recente. Ele destacou que o aumento dos preços da energia e a interrupção da produção industrial já estão provocando efeitos em cadeia. "Já estamos vendo grandes empresas invocarem força maior em seus contratos de fornecimento e reduzirem a produção à medida que a escassez se espalha por energia, produtos químicos e outras cadeias de suprimentos críticas", denunciou Denton.

Para o secretário-geral, é crucial que os governos ajam de maneira decisiva, pois a inação pode agravar a instabilidade econômica e corroer ainda mais as bases do comércio global. "Cada mês de inação corrói ainda mais o sistema da OMC — um sistema que, uma vez perdido, seria quase impossível de reconstruir no atual ambiente geopolítico", concluiu, enfatizando a urgência de medidas para evitar o colapso do sistema.

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