Pesquisadora da Unicamp é presa por furtar vírus H1N1 e H3N2 em laboratório
Uma professora e pesquisadora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) foi presa nesta segunda-feira, 23 de março de 2026, acusada de furto qualificado, colocação em risco da saúde pública e transporte ilegal de material geneticamente modificado. O caso envolve o transporte não autorizado de amostras virais, incluindo os vírus H1N1 e H3N2 causadores da gripe tipo A, entre laboratórios da instituição.
Detalhes do transporte irregular dos vírus
As amostras foram retiradas do Laboratório de Virologia Animal, localizado no Instituto de Biologia da Unicamp, e transportadas para a Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), em um percurso de aproximadamente 350 metros. O trajeto incluiu corredores, salas de aula, áreas de convivência e estacionamentos frequentados por estudantes e funcionários da universidade, aumentando os riscos potenciais de contaminação.
Segundo investigações da Polícia Federal, a pesquisadora Soledad Palamenta Miller, de 36 anos, natural da Argentina e mãe de duas crianças, não possuía acesso autorizado ao laboratório de origem. Para realizar o furto, ela contou com a ajuda de uma estudante de mestrado, que facilitou sua entrada nos espaços restritos e a retirada dos materiais biológicos.
Recuperação das amostras e riscos à saúde pública
O caso veio à tona após o desaparecimento de caixas contendo material viral ser detectado no dia 13 de fevereiro de 2026. Durante buscas na Unicamp, agentes da Polícia Federal encontraram as amostras de vírus armazenadas em freezers de laboratórios da Faculdade de Engenharia de Alimentos e identificaram frascos parcialmente descartados em lixeiras comuns.
A Polícia Federal nega que tenha ocorrido qualquer contaminação externa durante o incidente e garante que todas as amostras foram recuperadas integralmente. As autoridades afirmam que os vírus permaneceram confinados dentro do campus universitário, minimizando os riscos de disseminação para a comunidade externa.
Perfil da pesquisadora e contexto das investigações
Soledad Miller coordena atualmente o Laboratório de Virologia e Biotecnologia em Alimentos da Unicamp, onde desenvolve pesquisas voltadas para vigilância epidemiológica e criação de diagnósticos e terapias para vírus transmitidos por alimentos e água. Apesar de seu trabalho acadêmico, as investigações apontam que ela agiu sem as devidas autorizações institucionais para o transporte do material biológico.
A pesquisadora responderá ao processo em liberdade, enfrentando acusações graves que incluem furto qualificado, colocação em risco da saúde das pessoas e transporte irregular de organismos geneticamente modificados. O caso levanta questões importantes sobre segurança biológica em instituições de pesquisa e os protocolos de controle de materiais perigosos em ambientes acadêmicos.



