Um marco histórico para o comércio global foi selado nesta sexta-feira (9). A primeira parte do acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia foi oficialmente assinada na Bélgica, em um passo crucial para a consolidação da que é considerada a maior parceria econômica entre blocos do planeta.
Um marco para o comércio global
O vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin, foi um dos principais entusiastas do acordo. Em entrevista concedida em Brasília, ele destacou a magnitude do tratado. "Este é o maior acordo entre blocos do mundo", afirmou Alckmin, ressaltando que a União Europeia se consolida como o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China.
A dimensão do intercâmbio é colossal: a corrente de comércio entre os blocos supera a marca de US$ 100 bilhões, o que equivale a aproximadamente R$ 536,4 bilhões na cotação atual. A relevância do mercado europeu para o Brasil fica ainda mais clara com outro dado apresentado pelo vice-presidente: para 22 dos 27 estados brasileiros, a União Europeia foi o primeiro ou o segundo destino das exportações.
Mais do que comércio: emprego e sustentabilidade
Alckmin foi além dos números financeiros para enumerar os benefícios multifacetados do acordo. Segundo ele, o tratado é um instrumento poderoso para promover emprego, atrair investimentos e estabelecer regras claras para o comércio.
Um dos pilares destacados foi o compromisso com a agenda ambiental. "Fortalece a sustentabilidade. Porque nesse acordo o Brasil assume compromissos com a sustentabilidade e com o combate às mudanças climáticas", explicou o vice-presidente. Essa dimensão coloca o pacto na vanguarda dos acordos comerciais modernos, que buscam aliar crescimento econômico à responsabilidade ecológica.
Um antídoto contra o isolacionismo
Em um contexto geopolítico marcado por tensões e conflitos, Alckmin enxerga no acordo Mercosul-UE um sinal positivo para a ordem internacional. Ele definiu o pacto como uma relação de "ganha-ganha", que resultará em produtos mais baratos e de melhor qualidade para os consumidores de ambos os lados do Atlântico.
"Num momento geopolítico difícil, de instabilidade, é fundamental para o mundo. Mostra que é possível construir um caminho de comércio com regras, de abertura comercial e de fortalecimento, não do isolacionismo, mas do multilateralismo", completou. A afirmação reforça a visão do acordo como um baluarte do sistema de comércio global baseado em regras cooperativas.
O processo de ratificação segue seu curso. Os países do bloco europeu já votaram a favor da confirmação do tratado. A próxima etapa importante será a visita da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ao Paraguai no dia 17 de janeiro, onde ocorrerá a assinatura formal do documento.
A expectativa do governo brasileiro, conforme expressa por Geraldo Alckmin, é que todo o processo seja concluído com sucesso e que o acordo entre em vigor ainda no ano de 2026, inaugurando uma nova e promissora era nas relações entre a América do Sul e a Europa.