Acordo UE-Mercosul: vitória de Milei e oportunidade de US$ 220 bi
Acordo UE-Mercosul avança com sinal verde europeu

O presidente argentino, Javier Milei, celebrou como uma conquista pessoal o anúncio feito nesta sexta-feira (9) de que os países da União Europeia deram sinal verde para o acordo de livre comércio com o Mercosul. A notícia marca um ponto de virada após anos de críticas de Milei ao bloco sul-americano, que ele já comparou a uma "cortina de ferro".

Uma vitória estratégica para a Argentina

A Casa Rosada vê o acordo como um avanço estratégico crucial, com potencial para abrir novos mercados e atrair investimentos europeus em setores-chave como agronegócio, mineração e energia. Atualmente, a participação argentina no mercado europeu é modesta: em 2024, a UE importou cerca de US$ 220 bilhões em produtos agroindustriais, sendo apenas 3% de origem argentina.

O chanceler argentino, Pablo Quirno, destacou que o pacto elimina tarifas para 92% das exportações, uma "oportunidade significativa" para aumentar as vendas de soja, carnes e vinhos. Além disso, um capítulo sanitário no acordo promete criar um ambiente mais previsível para o comércio, um alívio para exportadores afetados pela política de facilitação de importações de Milei.

Repercussão no Mercosul e próximos passos

A aprovação europeia, que pode encerrar 25 anos de negociações, foi comemorada por outros membros do bloco. O presidente paraguaio, Santiago Peña, afirmou que o acordo é "benéfico para o Paraguai", um grande produtor competitivo de grãos e carnes. Já o Uruguai se comprometeu a ser um dos primeiros a ratificar o texto.

O Instituto de Negócios Agrícolas Internacionais (Inai) da Argentina emitiu um comunicado afirmando que, em uma era de tensões geopolíticas, o acordo "abre grandes oportunidades para a inserção externa do Mercosul". Enquanto isso, a UE concordou em dialogar sobre biotecnologia, segurança alimentar e incluir compromissos trabalhistas e ambientais.

O alinhamento internacional de Milei

Analistas indicam que o próximo movimento do governo argentino será insistir no estreitamento de laços comerciais com os Estados Unidos. Essa aproximação viria em troca de um alinhamento total com Washington em temas internacionais, como a operação de prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro e o apoio à doutrina Trump para a América Latina.

Para Milei, a aprovação europeia coroa seus esforços por um "ambiente comercial mais claro e livre". A implementação final do acordo, no entanto, ainda depende de ratificações internas nos países envolvidos, um processo que os uruguaios alertam ser motivo de comemoração apenas quando concluído.