O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou esta sexta-feira, 9 de janeiro de 2026, como uma data histórica para o multilateralismo. A declaração foi feita após a aprovação, em Bruxelas, do tão aguardado Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a União Europeia.
Uma longa jornada de negociações
Em uma publicação na rede social X, Lula destacou que as tratativas para a concretização de um dos maiores tratados comerciais do planeta se estenderam por 25 anos. O texto final recebeu o aval durante uma reunião com embaixadores e diplomatas europeus realizada na capital belga. O próximo passo formal será a assinatura oficial do acordo pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
O mandatário brasileiro enfatizou a magnitude da parceria. "A decisão chancelada pelo lado europeu une dois blocos que, juntos, somam 718 milhões de pessoas e um PIB de US$ 22,4 trilhões", afirmou. Para Lula, em um contexto global marcado por tendências protecionistas, o acordo se apresenta como um sinal claro em favor do comércio internacional como motor do crescimento econômico, com ganhos para ambas as partes.
Impactos e benefícios do tratado
Segundo a avaliação do Palácio do Planalto, o acordo ampliará significativamente as oportunidades para as exportações do Brasil e para os investimentos produtivos originários da Europa. Além disso, o tratado promete simplificar uma série de regras comerciais, facilitando o intercâmbio entre os dois lados.
Lula ressaltou que a conquista é fruto do esforço diplomático. "Uma vitória do diálogo, da negociação e da aposta na cooperação e na integração entre os países e blocos", declarou o presidente, celebrando o resultado como um triunfo da via diplomática em um cenário internacional complexo.
Próximos passos e significado estratégico
A aprovação em Bruxelas representa a superação de um dos últimos grandes obstáculos para a entrada em vigor do pacto. O acordo entre Mercosul e União Europeia é visto como um marco estratégico que redefine as relações econômicas entre a América do Sul e a Europa.
Especialistas apontam que, além dos benefícios econômicos imediatos, o tratado fortalece a posição de ambos os blocos na geopolítica mundial, demonstrando a viabilidade de parcerias amplas baseadas em regras comuns. A expectativa agora é que os procedimentos internos de ratificação em cada país membro dos blocos transcorram sem novos entraves, permitindo que os efeitos práticos do acordo comecem a ser sentidos em breve.