UE aprova acordo com Mercosul após 25 anos: Itália foi decisiva
Acordo comercial UE-Mercosul é aprovado após 25 anos

Os Estados-membros da União Europeia deram um passo histórico nesta sexta-feira, 9 de janeiro de 2026, ao aprovarem o acordo comercial com o Mercosul. A decisão, aguardada há mais de um quarto de século, desbloqueia a criação da maior zona de livre-comércio do planeta, abrangendo um mercado de mais de 700 milhões de pessoas.

O voto decisivo e a resistência superada

A aprovação ocorreu em uma reunião do Comitê de Representantes Permanentes (Coreper), onde os embaixadores dos 27 países do bloco europeu se reuniram. O texto recebeu sinal verde por maioria qualificada, um mecanismo que exigia o apoio de pelo menos 15 nações, representando no mínimo 65% da população total da UE.

Apesar do resultado positivo, o caminho foi marcado por resistências. Países como França, Irlanda e Polônia mantiveram sua oposição, temendo os impactos da concorrência sul-americana em seus setores agropecuários. No entanto, o aval de um ator-chave mudou o jogo: a Itália.

O papel crucial da Itália e as garantias obtidas

Roma, que havia travado a deliberação em dezembro de 2025, foi convencida a mudar de posição após receber um pacote de garantias da Comissão Europeia. As preocupações italianas giravam em torno de dois eixos principais: a reciprocidade nas regras fitossanitárias – visto que alguns pesticidas proibidos na UE são usados no Mercosul – e o temor de flutuações excessivas nos preços de produtos agrícolas.

Para aliviar essas preocupações, Bruxelas apresentou medidas concretas. Além disso, a Comissão Europeia decidiu oferecer um incremento de 45 bilhões de euros em subsídios no âmbito da Política Agrícola Comum (PAC), somando-se aos 302 bilhões já previstos para o período de 2028 a 2034.

Cláusulas de salvaguarda e o caminho final

O acordo final deve incluir mecanismos de proteção para setores europeus considerados sensíveis. Produtos como carne bovina, aves, arroz, ovos, etanol e açúcar terão cláusulas de salvaguarda que permitem a reintrodução de tarifas em caso de distorções no mercado.

Uma proposta inicial da Comissão previa a intervenção caso as importações de produtos sensíveis aumentassem 10% em relação ao ano anterior, ou se os preços fossem 10% menores que os equivalentes europeus. Após negociações, e atendendo a uma exigência da Itália, esses percentuais foram fixados em 5%, um limite mais rigoroso.

Com a aprovação dos países, o caminho agora está aberto para a etapa simbólica. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, viajará ao Paraguai na próxima segunda-feira, 12 de janeiro, para a assinatura cerimonial do tratado. Posteriormente, o texto ainda precisará passar pelo crivo do Parlamento Europeu para sua ratificação definitiva, encerrando um ciclo de negociações que começou na década de 1990.