Moradores de Vigia enfrentam crise habitacional com imóveis apresentando graves defeitos estruturais
Há quatro anos, os moradores dos residenciais Bela Vista IV e V, localizados no bairro Amparo em Vigia, nordeste do Pará, convivem com uma situação crítica de problemas estruturais nos imóveis adquiridos através de financiamento da Caixa Econômica Federal. As mais de 200 casas, construídas pela empresa Marca Construtora com valor médio de R$ 230 mil cada, apresentam cerca de 80 unidades com defeitos graves que comprometem a segurança das famílias.
Laudo dos Bombeiros confirma risco iminente de novos deslocamentos de solo
Um laudo técnico do Corpo de Bombeiros, emitido após vistorias realizadas no dia 17 de março, confirmou oficialmente a gravidade da situação. O documento atestou que o solo cedeu em um dos imóveis, resultando no desabamento de um muro de alvenaria. O laudo é enfático ao recomendar avaliação estrutural completa e monitoramento constante do terreno, especialmente durante períodos de chuvas intensas.
"O local permanece com potencial risco de novos deslocamentos de solo, tendo em vista que a residência apresenta sinais de rachaduras e fissuras nas estruturas inferiores", alerta o documento oficial. Os bombeiros destacam a necessidade urgente de intervenção para evitar acidentes mais graves.
Moradores relatam desespero diário com infiltrações e falta de solução
Os residentes descrevem um cenário de angústia constante. "É um desespero grande. Quando chove, a água entra nas casas. Já teve até deslizamento por falta de estrutura, porque não fizeram a contenção adequada", relatou um dos moradores que preferiu não se identificar. Os problemas relatados incluem:
- Rachaduras visíveis nas paredes e estruturas
- Lajotas soltas que representam risco de acidentes
- Vazamentos persistentes em fossas e forros
- Muros apresentando inclinação perigosa
- Casas com sinais evidentes de cedimento do solo
Falta de respostas da construtora e prazo do seguro em contagem regressiva
Os moradores afirmam que tentam contato constante com a Marca Construtora, mas as promessas nunca se concretizam em soluções efetivas. "Quando a gente vai lá, dizem que é problema de umidade, que é do piso, sempre dão uma desculpa", desabafou outro residente. A empresa mantém seu escritório em Santa Izabel do Pará, a 58 km de Vigia, dificultando ainda mais o acompanhamento das demandas.
A situação se agrava com a aproximação do fim do prazo do seguro habitacional, que possui validade de cinco anos. "Depois que termina o prazo do seguro, fica mais complicado resolver. E a gente fica sem orientação, a empresa não resolve nada", explicou um morador. Com menos de um ano para o término da cobertura, as famílias temem ficar completamente desamparadas.
Silêncio das instituições responsáveis preocupa comunidade
O g1 solicitou posicionamento formal da Marca Construtora, da Caixa Econômica Federal e da Prefeitura de Vigia sobre o caso, mas até o fechamento desta reportagem nenhuma das instituições havia se manifestado. A falta de respostas oficiais aumenta a insegurança dos moradores, que continuam pagando financiamentos por imóveis que apresentam condições precárias de habitabilidade.
As famílias seguem em busca de soluções enquanto convivem diariamente com o risco de novos desabamentos e deslizamentos, especialmente durante o período chuvoso na região. A comunidade espera que as autoridades tomem providências urgentes antes que ocorram acidentes mais graves.



