Rua desmoronada em Gramado continua destruída após 2 anos das enchentes
Rua desmoronada em Gramado segue destruída após 2 anos

Dois anos após as chuvas de maio de 2024 que devastaram o Rio Grande do Sul, a rua que desmoronou no bairro Piratini, em Gramado, na Serra gaúcha, continua completamente destruída e intransitável. O local, que antes era um importante acesso ao centro da cidade, permanece isolado, com mais de 30 famílias afetadas pelo desastre.

Moradores ainda aguardam obras

A aposentada Palmira Machado, de 85 anos, lamenta a transformação do bairro. "Passava ônibus, passava de tudo aqui. Faz falta. Os amigos passavam ali, meus parentes chegavam. Agora não se vê nunca mais ninguém", desabafa. O deslizamento de terra foi classificado por especialistas como um tipo complexo de escorregamento. O engenheiro geotécnico Luiz Antônio Bressani explica: "Aqui, a profundidade é muito maior. Nós estamos falando da ordem de 20 metros. O material não foi arrastado, ele foi deslocado muito fortemente, com velocidades da ordem de centímetros por dia. Então, não mata ninguém, mas a destruição das casas é muito grande".

Investimento e indenizações

A Prefeitura de Gramado anunciou um investimento de mais de R$ 43 milhões para as obras de recuperação, que devem começar em junho. Segundo o Executivo municipal, 35 lotes foram desapropriados na região. Destes, 34 proprietários aceitaram a proposta de indenização, enquanto um discute os termos na Justiça. Até o momento, foram pagos R$ 8,3 milhões a 25 famílias; outras nove aguardam a regularização de documentos para receber o valor.

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Rotina de dificuldades

Sem a rua, os moradores enfrentam trajetos até três vezes mais longos para acessar serviços essenciais. "Quando a gente tem que ir ao mercado, fruteira, farmácia, a gente desce ali, faz todo esse trajeto e vamos escalando", relata uma moradora. A empreendedora Cleusa Machado conta: "Eu saio para trabalhar todo dia de manhã, eu saio por aqui, já caí umas 10 vezes, mas eu continuo". O sentimento de abandono é compartilhado pela aposentada Marina de Freitas Santos: "Parece que fomos um bairro esquecido aqui. Ninguém procura nós, ninguém fala nada".

Previsão das obras

A prefeitura informou que o primeiro ano após o evento foi dedicado ao monitoramento e estudo da área para identificar movimentações do solo. No ano seguinte, foi elaborado o projeto e feito o cadastramento junto ao governo federal para buscar recursos. A projeção é de que o processo licitatório para contratar a empresa responsável seja publicado na segunda quinzena de maio, com início das obras previsto para a segunda quinzena de junho. O investimento contempla obras de contenção, pavimentação e iluminação.

Enquanto isso, a área segue sob vigilância. "Se faz um controle de toda a área para ver qual o movimento que está acontecendo, vertical e lateral. Além disso, a gente mede qual a pressão de água que tem no subsolo", detalha o engenheiro Bressani. Para os moradores, resta a esperança de ver a rua movimentada novamente. "Ver a gente passar, todo mundo faceiro, alegre, abanando a mão, sendo feliz. É o que eu sonho", conclui Palmira Machado.

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