O mercado de trabalho dos Estados Unidos mostrou sinais claros de desaceleração no fechamento de 2025. Dados oficiais divulgados nesta sexta-feira, 9 de janeiro de 2026, revelam que a economia americana gerou um saldo líquido de apenas 50 mil novos empregos no mês de dezembro, um resultado que ficou abaixo das projeções dos analistas.
Números abaixo das expectativas e revisão para baixo
As expectativas do mercado financeiro apontavam para a criação de pelo menos 60 mil postos de trabalho no último mês do ano. O desempenho decepcionante de dezembro segue um novembro que também foi revisado para baixo. Inicialmente, o governo havia informado a geração de 64 mil empregos, mas o número foi ajustado para 56 mil vagas no relatório mais recente. Essa sequência confirma uma perda de ritmo na contratação.
Em contrapartida, um indicador importante se manteve em patamar considerado saudável: a taxa de desemprego permaneceu em 4,4%, registrando uma ligeira melhora em relação aos 4,5% de novembro. A persistência de um mercado de trabalho apertado, com baixo desemprego, é um dos fatores que complica a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) sobre novos cortes na taxa de juros.
Pressões sobre o mercado e o papel da tecnologia
Analistas apontam que o cenário atual combina pressão inflacionária, vinda dos salários, com estagnação na geração de novas vagas. Um dos fatores frequentemente citados para explicar a moderação nas contratações é a política tarifária implementada pelo presidente Donald Trump. As medidas, segundo especialistas, elevaram custos para as empresas e injetaram uma dose extra de incerteza no ambiente de negócios ao longo de 2025.
Outro elemento de peso é a transformação no setor tecnológico. Executivos de diversas empresas têm mencionado que o avanço e a adoção de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) estão permitindo a otimização de processos e, em alguns casos, a substituição de funções antes exercidas por humanos. Essa tendência atua como um freio natural para novas contratações em um mercado já considerado aquecido.
Salários sobem, mas Fed mantém cautela
Apesar da fraqueza na criação de empregos, a pressão salarial segue presente. O salário médio por hora apresentou alta de 0,33% em dezembro, atingindo US$ 37,02, movimento que estava alinhado com as previsões do mercado. No acumulado do ano de 2025, os ganhos salariais somaram 3,8%.
Essa combinação – poucas vagas novas, mas desemprego baixo e salários em alta – deixa o Federal Reserve em uma posição delicada. A autoridade monetária reduziu os juros em 0,25 ponto percentual em sua última reunião, levando a taxa básica para a faixa entre 3,5% e 3,75% ao ano. No entanto, um mercado de trabalho ainda resiliente como o atual diminui a urgência para novos estímulos monetários, pois alimenta preocupações com uma possível reignição inflacionária.
Os dados de dezembro pintam um retrato de uma economia americana em transição, onde o pleno emprego convive com ventos contrários que limitam a expansão, colocando os formuladores de política econômica em um constante exercício de equilíbrio.