Brasil gera 1,2 milhão de empregos formais em 2025, menor saldo em cinco anos
Brasil tem menor criação de empregos formais desde 2020

Brasil registra menor criação de empregos formais desde 2020, com 1,2 milhão de vagas em 2025

O mercado de trabalho brasileiro apresentou um desempenho modesto em 2025, com a abertura de 1,2 milhão de novas vagas formais, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Este resultado representa o menor saldo positivo dos últimos cinco anos, marcando uma desaceleração significativa na geração de empregos com carteira assinada.

Contratações e demissões refletem cenário de rotatividade

Em 2025, foram registradas 26,5 milhões de contratações e 25,3 milhões de demissões, resultando no saldo de 1,2 milhão de novos empregos. A queda em relação a 2024 foi de quase 24%, evidenciando um ritmo mais lento na criação de vagas. O setor de serviços foi o que mais empregou, enquanto agropecuária e construção civil tiveram o pior desempenho, ficando abaixo da indústria e do comércio.

Relatos do cotidiano ilustram desafios no mercado

Michael Magalhães, ajudante de cozinha, é um dos novos contratados e está em fase de adaptação. "Pretendo ficar até cumprir uma meta boa. Quem sabe ir de uma área para outra, sempre evoluindo", afirma. Por outro lado, Wesley Moreira, administrador de sete restaurantes, destaca a dificuldade em preencher vagas devido à alta rotatividade. "Hoje, a gente tem já 16 postos em abertos para diversas vagas, desde o auxiliar de serviços gerais até o auxiliar de pizzaria. Antigamente a gente recebia cinco candidatos por vaga, seis candidatos para cada vaga. Hoje, a gente dá graças a Deus quando vem um candidato para a entrevista para a vaga".

Impacto da política monetária e análise de especialistas

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, atribuiu o resultado aos juros altos, necessários para conter a inflação. "Procurei dialogar com o Banco Central desde o final do primeiro semestre do ano, mostrando que o que a gente conseguia interpretar do que eles falam nas atas, entrevistas e a pressão do mercado que às vezes exerce sobre o Banco Central, que poderia levar a um processo de desaceleração do ritmo", explicou. Ulisses Ruiz de Gamboa, professor de Economia do Insper, reforça que os números refletem uma desaceleração, mas não uma crise. "Isso não é uma crise, não é uma queda, é um crescimento menor. Isso é fruto dos efeitos da política monetária, que, por outro lado, está conseguindo conter o avanço da inflação".

Em resumo, o ano de 2025 foi marcado por um crescimento mais lento no mercado de trabalho formal, influenciado por fatores econômicos e monetários, com perspectivas de evolução cautelosa para os próximos períodos.