O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmou nesta sexta-feira, 9 de janeiro de 2026, que a inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), fechou o ano de 2025 em 4,26%. O dado de dezembro ficou em 0,33%.
O maior vilão do orçamento familiar
O protagonista negativo do cenário inflacionário do ano passado foi, sem dúvida, a energia elétrica residencial. Sozinha, essa despesa essencial respondeu por 0,48 ponto percentual do índice geral. A alta acumulada no preço da conta de luz ao longo de 2025 foi expressiva, atingindo 12,31%, um peso considerável no bolso dos brasileiros.
Os números revelam que, após a energia, outros gastos considerados difíceis de cortar no dia a dia também exerceram pressão significativa sobre o IPCA. O IBGE monitora um total de 377 preços para compor o índice.
Serviços e itens essenciais pressionam o índice
Na sequência do impacto da conta de luz, aparecem despesas com cursos regulares, que contribuíram com 0,29 ponto percentual após um reajuste médio de 6,54% no ano. Logo em seguida, os planos de saúde adicionaram 0,26 p.p. à inflação, reflexo de custos médicos mais elevados que resultaram em um aumento médio de 6,42% para o consumidor.
O aluguel residencial manteve sua pressão histórica sobre o orçamento das famílias, acrescentando 0,22 p.p. ao IPCA de 2025, com um avanço de 6,06% nos valores.
Inflação de serviços e gastos fora de casa
O fenômeno da inflação de serviços ficou evidente no item lanches fora do lar, cujos preços subiram 11,35% no ano, com um impacto de 0,21 p.p. no índice geral. Esse movimento foi impulsionado por custos de mão de obra e por uma demanda que se manteve firme.
De fato, o agregado de serviços como um todo acelerou sua taxa de crescimento, passando de 4,78% em 2024 para 6,01% em 2025. Já os preços monitorados, categoria que inclui energia e tarifas públicas, avançaram de 4,66% para 5,28%.
Alívio vindo dos alimentos
Um dos fatores que ajudou a evitar uma inflação ainda mais alta em 2025 foi o comportamento dos preços dos alimentos. Após fortes altas no início do ano, esse grupo ficou fora da lista dos principais vilões, registrando uma variação de apenas 2,95% em todo o período. O resultado representa um alívio significativo em comparação com o aumento de 7,69% observado em 2024.
Os dados consolidam um ano em que a inflação, apesar de ter fechado dentro do limite superior da meta, passou a maior parte do tempo fora da banda estabelecida pelo sistema de metas, com itens de serviços e custos administrados ditando o ritmo de aperto no orçamento das famílias brasileiras.