Acre registra uma das gasolinas mais caras do país e guerra no Oriente Médio pode impactar preços
Após consumidores denunciarem preços considerados abusivos nos postos de combustíveis do estado, o Instituto de Proteção e Defesa do Consumidor do Acre (Procon-AC) realizou uma operação de fiscalização entre os dias 10 de março e a última sexta-feira, 13 de março. A ação ocorreu em 40 estabelecimentos distribuídos por sete municípios acreanos, onde foram constatadas irregularidades em 20 desses locais, o que representa metade dos postos vistoriados.
Investigação do Ministério Público e fiscalização detalhada
Diante das reclamações dos condutores, o Ministério Público do Acre (MP-AC) informou, nesta quinta-feira, 19 de março, que está apurando as denúncias de forma rigorosa. Como parte da investigação, o órgão solicitou à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) as pesquisas de preços realizadas entre janeiro e março deste ano na capital Rio Branco, além do monitoramento completo efetuado pelo Procon durante o mesmo período.
A presidente do Procon-AC, Alana Albuquerque, explicou que a operação inspecionou minuciosamente 356 bicos de abastecimento nas cidades de Rio Branco, Senador Guiomard, Bujari, Tarauacá, Cruzeiro do Sul, Rodrigues Alves e Mâncio Lima. Do total analisado, 14 bicos foram reprovados, correspondendo a aproximadamente 4% das unidades verificadas. A gestora destacou ainda que foram emitidas duas autuações administrativas e realizada uma coleta de amostra para análise laboratorial aprofundada.
Escopo da fiscalização e parcerias institucionais
O órgão de defesa do consumidor detalhou que a fiscalização abrangeu 25 estabelecimentos na região do Baixo Acre, sete postos nas áreas de Tarauacá e Envira, além de oito unidades na região do Vale do Juruá. A operação foi conduzida em conjunto com o Instituto de Pesos e Medidas do Estado do Acre (Ipem) e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), seguindo rigorosamente os parâmetros estabelecidos pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).
"Durante a operação, verificamos exposições de preços, qualidade, procedência dos combustíveis e a forma como estavam sendo realizados os pagamentos, além do cumprimento das demais normas regulatórias e o funcionamento adequado das bombas medidoras", afirmou Alana Albuquerque.
Preços elevados e impacto da guerra no Oriente Médio
Em janeiro deste ano, o preço médio da gasolina comum no Acre oscilava entre R$ 7,24 e R$ 7,25 por litro, registrando um dos valores mais altos de todo o território brasileiro. Paralelamente, o litro do biocombustível foi comercializado no estado por uma média de R$ 5,99, alcançando o valor mais elevado do ranking nacional.
Em Cruzeiro do Sul, localizado no interior acreano, os motoristas já sentem o impacto do novo reajuste nos valores dos combustíveis. Com a atualização recente, o aumento foi de aproximadamente R$ 0,20 tanto na gasolina quanto no diesel comum.
Neste mês, o conflito no Oriente Médio elevou significativamente o preço do barril de petróleo, que saltou de cerca de US$ 60 para mais de US$ 100, encarecendo drasticamente a matéria-prima utilizada na produção de combustíveis. No último sábado, 14 de março, a Petrobras anunciou um reajuste no diesel de R$ 0,38 por litro para as distribuidoras, o que deve refletir nos preços finais aos consumidores.
A situação preocupa autoridades e a população acreana, que enfrenta uma combinação de preços historicamente altos com a pressão adicional gerada pela instabilidade geopolítica internacional.



