Exportações do Brasil para EUA caem 6% e déficit salta 8 vezes em 2025
Déficit comercial com EUA dispara 8 vezes em 2025

O comércio entre Brasil e Estados Unidos registrou uma virada expressiva em 2025, com um forte aumento do déficit para o lado brasileiro. Impulsionado por uma combinação de queda nas exportações e alta nas importações, o saldo negativo do Brasil com seu segundo maior parceiro comercial multiplicou-se por mais de oito vezes no ano passado.

Queda nas vendas e alta no déficit

As exportações de produtos brasileiros para o mercado americano, que vinham batendo recordes, sofreram um recuo de 6,6% em 2025. O valor embarcado caiu de US$ 40,4 bilhões em 2024 para US$ 37,7 bilhões no ano passado. Na direção contrária, as importações brasileiras de produtos dos EUA cresceram 11%, alcançando US$ 45,2 bilhões.

Com esse movimento, a vantagem comercial dos Estados Unidos se ampliou drasticamente. O déficit do Brasil, que já era negativo em US$ 283 milhões em 2024, disparou para US$ 7,5 bilhões em 2025. Esse valor representa um aumento de aproximadamente 8,8 vezes em apenas um ano.

O impacto do "tarifaço" de Trump

A brusca mudança no fluxo comercial está diretamente ligada às medidas protecionistas adotadas pelo presidente norte-americano, Donald Trump, após sua posse em janeiro de 2025. Após estabelecer uma tarifa mínima de 10% para importações globais em abril, Trump aplicou, em agosto, uma taxa adicional de 40% sobre uma parcela significativa dos produtos brasileiros.

Com isso, diversos itens da pauta exportadora do Brasil passaram a enfrentar uma alíquota total de 50% para entrar nos Estados Unidos, uma das mais altas do mundo naquele momento. A medida, conhecida como "tarifaço", foi posteriormente aliviada após conversas entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

De acordo com o ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, a situação melhorou, mas persiste. Atualmente, 22% do valor exportado pelo Brasil para os EUA ainda paga a tarifa de 50%. No auge da medida, em agosto, essa proporção chegou a 37%.

Panorama atual das tarifas

Segundo dados do governo brasileiro, a pauta de exportações para os Estados Unidos hoje se divide da seguinte forma:

  • 51% está sujeita à tarifa padrão de 10% de Trump ou é de produtos isentos, como o petróleo.
  • 27% está enquadrada na Seção 232, que impõe tarifas específicas e globais para setores como automóveis, aviação e siderurgia.
  • 22% ainda enfrenta a tarifa máxima de 50%.

EUA mantêm posição, mas China lidera

Apesar do tombo nas vendas, os Estados Unidos se mantêm como o segundo maior comprador de produtos brasileiros, atrás apenas da China. Em 2025, a participação americana nas exportações totais do Brasil foi de 10,8%, uma redução em relação aos 12% registrados em 2024. Os chineses, por sua vez, absorveram 28% de tudo que o país vendeu ao exterior.

Curiosamente, a perda de fôlego no mercado americano não impediu um desempenho positivo do comércio exterior brasileiro como um todo. As exportações totais do país cresceram 3,5% em 2025, atingindo a marca recorde de US$ 348 bilhões.

Diálogo político e perspectivas

O ministro Geraldo Alckmin destacou o relacionamento entre os presidentes Lula e Trump como um fator positivo para a desescalada das tarifas. Em coletiva à imprensa no dia 5 de janeiro de 2026, Alckmin afirmou que "o presidente Lula tem com o presidente Trump um bom relacionamento" e que as conversas avançaram.

"O trabalho continua e vai ser acelerado para que esses 22% que ainda enfrentam a tarifa de 50% sejam reduzidos ainda mais", completou o ministro, sinalizando que a negociação comercial entre os dois países segue como uma prioridade do governo brasileiro para 2026.