O custo da cesta básica para o consumidor brasileiro apresentou nova alta no último mês de 2025, pressionado principalmente pelos preços da carne bovina de primeira e da batata. Dados oficiais confirmam a tendência de aumento que impacta o orçamento familiar.
Alta generalizada nas capitais
De acordo com o levantamento do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), a cesta básica ficou mais cara em 17 das capitais brasileiras no mês de dezembro. A pesquisa, divulgada em janeiro de 2026, mostra que o aumento médio nacional foi impulsionado por dois itens específicos.
Na cidade de São Paulo, referência para o cálculo, o custo médio chegou a aproximadamente R$ 845,00, representando uma alta de 0,56% em relação ao mês de novembro. No entanto, a situação foi mais crítica em outras regiões do país.
Maceió lidera aumentos com alta expressiva
A capital que registrou o maior reajuste no período foi Maceió, onde a cesta básica ficou 3,19% mais cara. A disparada nos preços na capital alagoana superou significativamente a média nacional, destacando as pressões inflacionárias regionais.
O economista Ricardo Buso, analisando os dados, explica que parte dessa variação é esperada para o período. "Por conta das pressões das festas de final de ano, sazonalidades e consumidores com mais dinheiro por conta do 13º, eventuais aumentos já eram esperados", pontua o especialista.
Carne vermelha deve manter preços altos
Apesar da expectativa de recuo nos preços de alguns alimentos após o período festivo, o cenário para a carne bovina é diferente. Ricardo Buso alerta que o produto não deve apresentar redução de preço no curto prazo.
As razões para a persistência dos valores elevados são estruturais: alta demanda tanto no mercado interno quanto no exterior, oferta restrita do produto, o ciclo natural da pecuária e o descarte de fêmeas para reprodução. Esses fatores combinados devem manter a pressão sobre os preços.
"Isso vai levar um tempo ainda, a carne ainda pode ser problemática", comentou Buso em entrevista ao Conexão Record News na sexta-feira, 9 de janeiro de 2026. O economista ainda ressaltou que, embora alimentos e bebidas tenham apresentado relativa tranquilidade no contexto inflacionário geral, riscos permanecem no horizonte para a cesta básica.
A alta da batata, outro vilão do mês, está mais associada a fatores sazonais e de oferta, podendo apresentar comportamento diferente no início de 2026. No entanto, a combinação desses aumentos serve como um termômetro importante para o poder de compra das famílias, especialmente no início de um novo ano.