Contas externas do Brasil registram maior déficit em 11 anos em 2025, com rombo de US$ 69 bilhões
Brasil tem maior déficit externo em 11 anos, com US$ 69 bi em 2025

Contas externas do Brasil registram maior déficit em 11 anos em 2025

As contas externas brasileiras encerraram o ano de 2025 com o maior rombo em onze anos, marcando um momento crítico para a economia do país. O déficit atingiu a impressionante cifra de quase US$ 69 bilhões, o que corresponde a aproximadamente 3% do Produto Interno Bruto (PIB). Este resultado representa o pior desempenho desde 2014, evidenciando uma tendência de saldos negativos que persiste ao longo dos anos.

O que compõe as contas externas e sua importância

As contas externas abrangem todas as transações financeiras do Brasil com outros países, incluindo o comércio de produtos, serviços – como os gastos de brasileiros no exterior – e rendas, por exemplo, os lucros de empresas remetidos para fora do país. Este número é um indicador crucial da capacidade de integração do Brasil na economia global. Déficits elevados e prolongados podem tornar a economia mais vulnerável a crises externas, aumentar a dependência de financiamento estrangeiro, pressionar o câmbio e levar a juros mais altos.

Fatores que contribuíram para o rombo

Segundo o Banco Central, a redução do saldo positivo da balança comercial foi a principal responsável pelo resultado negativo. O especialista em comércio exterior Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior, explica que o Brasil buscou alternativas ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos, diversificando os países compradores. No entanto, mesmo com o aumento das exportações para mercados como China, Índia, México e Argentina, as importações também cresceram significativamente.

Barral destaca: “O que aconteceu no final foi que o Brasil conseguiu aumentar a exportação para outros mercados, principalmente para a China, para a própria Índia, para o México, para a Argentina. Nós aumentamos as exportações compensando a perda de exportação para os Estados Unidos.”

Papel dos investimentos estrangeiros

Em contrapartida, o aumento dos investimentos estrangeiros no Brasil em 2025 ajudou a financiar e a diminuir o impacto do déficit. Esses investimentos, que incluem aplicações em empresas e maquinário, cresceram de US$ 74 bilhões para US$ 77 bilhões. Barral ressalta a complexidade da situação: “Nós temos um saldo importante na balança comercial, mas a nossa balança de serviços – que é o que o Brasil paga, por exemplo, de royalties, de frete, de serviços financeiros – é muito deficitária. Ao mesmo tempo, o Brasil recebe investimentos estrangeiros e também remete dinheiro de dividendos e de lucros das empresas estrangeiras no Brasil.”

Desafios e perspectivas futuras

O resultado final, conhecido como balanço de pagamentos, reflete a necessidade de o Brasil realizar esforços contínuos para atrair investimentos, manter exportações elevadas de bens e reduzir o déficit em serviços. Barral conclui: “O Brasil precisa fazer esforços para atrair investimentos, para continuar atraindo investimentos. Ele precisa fazer esforço para continuar com uma exportação elevada de bens e tentar diminuir o déficit em serviços.” Este cenário sublinha a importância de políticas econômicas estratégicas para fortalecer a posição externa do país nos próximos anos.