Banco Central inicia ciclo de cortes da Selic com redução de 0,25 p.p., mas cautela marca decisão
BC corta Selic em 0,25 p.p. com cautela devido ao Oriente Médio

Banco Central inicia ciclo de cortes da Selic com redução moderada de 0,25 ponto percentual

Em sintonia com as expectativas do mercado financeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu cortar a taxa Selic em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira, 18 de março de 2026. A decisão unânime dos nove membros do Comitê levou o juro básico da economia de 15% ao ano para 14,75% ao ano, marcando o início do tão aguardado ciclo de cortes após cinco reuniões consecutivas de manutenção da taxa no maior patamar em duas décadas.

Conflito no Oriente Médio reduz potência do ciclo de cortes

O mercado financeiro revisou bruscamente suas expectativas sobre o corte da Selic por conta da guerra no Irã, iniciada no dia 28 de fevereiro com ataques coordenados entre Estados Unidos e Israel. Antes da eclosão do conflito, a aposta predominante era por um corte de 0,5 ponto percentual, mas a disparada do preço do petróleo – que saltou de cerca de 70 dólares para mais de 100 dólares por barril – e seu consequente efeito inflacionário tornaram o clima menos favorável para uma redução mais agressiva.

"O ambiente externo tornou-se mais incerto, em função do acirramento de conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com reflexos nas condições financeiras globais", afirmou o Copom em comunicado. "Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities".

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Fatores domésticos também influenciam decisão cautelosa

Além do conflito internacional, outros elementos contribuíram para a abordagem moderada do Banco Central:

  • Preocupação com a política fiscal do governo
  • Mercado de trabalho ainda aquecido, com taxa de desemprego de 5,1% em 2025 – a menor da série histórica
  • Projeção de inflação para o terceiro trimestre de 2027 em 3,3%, ligeiramente acima da meta de 3%

No Boletim Focus divulgado na segunda-feira, 16 de março, a previsão dos analistas para o nível da Selic no final do ano subiu de 12,13% para 12,25%, refletindo a cautela do mercado em relação à flexibilização monetária.

Último corte havia ocorrido há quase dois anos

A última redução da Selic havia ocorrido em maio de 2024, quando a taxa caiu de 10,75% para 10,5% ao ano. Desde então, o Banco Central manteve os juros em patamar elevado para combater a inflação, iniciando apenas agora um novo ciclo de flexibilização monetária.

O comunicado do Copom destacou que "a incerteza acerca dessas projeções (de inflação) foi elevada consideravelmente, em função da falta de clareza sobre a duração dos conflitos" no Oriente Médio. A autoridade monetária condicionou os próximos passos da política monetária às notícias vindas da região, afirmando que "os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos".

Economia mostra sinais de moderação

O Banco Central monitora dados da atividade econômica que, segundo o comunicado, apresentam alguns sinais de moderação. O ano de 2025 já havia registrado desaceleração no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), tendência que deve persistir em 2026.

"No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária", concluiu o Copom, mantendo a taxa de juros em patamar ainda bastante restritivo, mas iniciando um pequeno alívio após quase dois anos sem cortes.

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