Acre e Peru firmam parceria estratégica para rota interoceânica ao Pacífico
Um acordo de cooperação internacional entre a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Acre e a Zona Especial de Desenvolvimento (ZED) de Ilo, no Peru, foi formalizado com o objetivo claro de efetivar a rota interoceânica com o Oceano Pacífico. Esta iniciativa estratégica, conforme divulgado pela Secretaria de Estado de Indústria, Ciência e Tecnologia (Seict), busca posicionar o estado acreano como um elo crucial conectando a Amazônia brasileira aos dinâmicos mercados asiáticos.
Infraestrutura e objetivos da parceria binacional
A ZPE do Acre, composta por 130 hectares – sendo 10 hectares destinados à área administrativa e 120 hectares ao parque industrial –, foi criada em 2010 pelo governo estadual para atrair investimentos e fomentar o desenvolvimento econômico e social, gerando emprego e renda. O novo acordo permitirá que empresas instaladas nesta zona tenham suporte técnico e logístico facilitado para utilizar os portos peruanos, especialmente o Porto de Ilo e o próximo Porto de Matarani, ambos conectados à Rodovia Interoceânica Sul.
"A integração entre a ZPE Acre e a ZED de Ilo permite que o empresário acreano olhe para o Pacífico não mais como um horizonte distante, mas como uma rota viável e competitiva. Nossa missão é reduzir o 'Custo Brasil', encurtando o tempo de trânsito para a Ásia e barateando o frete de insumos essenciais", afirmou o secretário Assurbanípal Mesquita durante a cerimônia de assinatura.
Produtos beneficiados e vantagens logísticas
Entre os principais produtos que serão favorecidos por esta cooperação de exportação estão:
- Proteína animal
- Madeira
- Café
- Castanha
- Grãos
O acordo também inclui a facilitação na entrada de máquinas, equipamentos e fertilizantes, o que reduzirá significativamente a dependência dos tradicionais portos do Sudeste e Sul do Brasil. No lado peruano, a integração produtiva permitirá o intercâmbio de tecnologia e a consolidação de cargas em território peruano, além de prever missões comerciais e rodadas de negócios entre empresários dos dois países.
Contexto histórico e desafios anteriores
A ZPE do Acre enfrentou desafios recentes em sua trajetória. Em abril de 2021, o empreendimento foi vendido por R$ 25,8 milhões à empresa China Haiying do Brasil, numa transação que prometia economizar ao estado cerca de R$ 20 mil mensais com serviços de segurança. Contudo, em junho do mesmo ano, o governo decidiu cancelar a venda após a empresa compradora não honrar o pagamento da primeira parcela, que deveria ser realizada 30 dias após o leilão e ultrapassava R$ 1,2 milhão. Desde então, um novo leilão foi anunciado, mas ainda não concretizado.
"Queremos atrair novos investimentos que vejam no Acre a porta de saída natural para o mercado global", acrescentou o secretário Mesquita, reforçando a visão de transformar o estado em um hub logístico estratégico para as exportações brasileiras rumo à Ásia.



