Acordo UE-Mercosul: janela para exportações e impacto em 700 milhões
Acordo UE-Mercosul: o que muda para o Brasil

A aprovação política do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, ocorrida em janeiro de 2026, acendeu um sinal de otimismo no mercado, mas especialistas alertam: o caminho até a efetiva implementação ainda é burocrático e demanda paciência. O pacto, considerado histórico, tem o potencial de impactar positivamente cerca de 700 milhões de pessoas, integrando dois grandes mercados consumidores.

Para sair do papel, o texto precisa agora passar por uma fase técnica e jurídica crucial. Será necessário o aval formal, com registros contratuais, de pelo menos 15 países do bloco europeu, que, juntos, representem aproximadamente 65% da população da União Europeia. "Ele foi aprovado, mas depende agora dessa etapa técnica e jurídica para sair do papel", explica o economista Rodrigo Simões, professor da FAC-SP.

Um motor para a economia brasileira

Na avaliação de especialistas, o Brasil surge como um dos grandes beneficiários deste acordo. A competitividade da indústria nacional, em especial do agronegócio, que em muitos segmentos opera com custos menores que os europeus, ganha uma janela inédita de oportunidade.

"É uma grande oportunidade para o Brasil vender mais, gerar empregos, fazer o PIB crescer e abrir novos mercados", afirma Simões. O efeito esperado é uma ampliação das exportações, fortalecendo o saldo positivo da balança comercial e gerando um ciclo virtuoso de maior produção, expansão do mercado de trabalho e estímulo à atividade econômica interna.

Além do agronegócio: um acordo amplo

O alcance do acordo vai muito além da venda de commodities agrícolas tradicionais. A lista de produtos abrange uma gama diversificada, incluindo bebidas, vinhos, chocolates e outros itens de consumo cotidiano. O pacto também estabelece regras para investimentos, proteção de patentes e ampliação do comércio bilateral, criando um ambiente mais seguro e previsível para a circulação de capital e tecnologia entre os blocos.

Rodrigo Simões recorre aos pilares clássicos do desenvolvimento para analisar o significado do acordo. Para ele, três fatores são fundamentais para o enriquecimento de uma nação: abertura comercial, investimento em pesquisa e desenvolvimento e educação. "Abertura comercial é essencial. País fechado não enriquece", resume o economista, posicionando o acordo como um passo decisivo no primeiro desses pilares.

O que esperar dos próximos passos

Enquanto os trâmites burocráticos seguem seu curso, o mercado acompanha com atenção os movimentos diplomáticos e jurídicos. A expectativa, conforme expressa por analistas, é que o processo avance e possa ser concluído ainda no primeiro semestre de 2026. A concretização deste marco, no entanto, ainda exige superar etapas formais em diversos parlamentos nacionais europeus.

O potencial é inegável – uma integração econômica que beneficia centenas de milhões de consumidores e produtores –, mas sua materialização depende da finalização bem-sucedida desta fase decisiva. O acordo UE-Mercosul se apresenta, portanto, como uma promessa transformadora, cujo desfecho prático o Brasil e seus parceiros aguardam com expectativa.