Mico-leão-preto: filhote é flagrado por câmeras na Mata Atlântica em SP
Mico-leão-preto: filhote é flagrado por câmeras em SP

Filhote de mico-leão-preto é registrado por câmeras na Mata Atlântica

Câmeras instaladas na Mata Atlântica flagraram um filhote de mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus) no Pontal do Paranapanema, interior de São Paulo. As imagens foram divulgadas no dia 24 de abril e fazem parte de um estudo publicado na International Journal of Primatology. Foram utilizadas 27 câmeras posicionadas em árvores, a alturas que variam de 0,5 a 8 metros.

Registro inédito para a conservação

Segundo o Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), os registros são considerados inéditos para a conservação da biodiversidade. Eles mostram a rotina e o desenvolvimento de um filhote de até dois meses de vida e de um jovem mico-leão-preto na fase de quatro a 12 meses.

O mico-leão-preto é uma das espécies de primata mais raras e ameaçadas do mundo. Endêmico da Mata Atlântica do interior de São Paulo, já foi considerado extinto na natureza por décadas, até ser redescoberto em 1970.

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Preservação da espécie

A pesquisadora e coordenadora do Programa de Conservação do Mico-leão-preto, Gabriela Cabral Rezende, explicou que os locais das câmeras foram estratégicos, permitindo registros inesperados. “Registrar o momento em que o grupo passa a ter um novo filhote e também o desenvolvimento desse filhote foi o que conseguimos com esses novos registros”, afirmou.

Gabriela destacou que a presença de um filhote indica que o grupo está saudável. “É um indicador muito positivo da saúde do ambiente. Registrar o desenvolvimento do filhote, que está suscetível à predação e outras causas de morte, e ver que eles passaram por essa fase é outro indicador positivo.”

O acompanhamento do filhote sugere que a população ameaçada está crescendo, o que entusiasma os pesquisadores. “Ver um novo filhote, uma nova vida, é sempre uma grande alegria. Nosso objetivo é ver essa espécie vivendo bem na natureza”, completou Gabriela.

Período mais crítico

O veterinário Daniel Felippi, primeiro autor do artigo, destacou a importância das imagens. “Quando o filhote apareceu nas imagens durante as primeiras semanas e meses após o nascimento, sabemos que superou o período mais crítico.”

O especialista reforçou que as imagens contribuem para a pesquisa sem gerar estresse nos animais e ampliam o monitoramento em diferentes áreas. O estudo ocorreu na floresta contínua do Parque Estadual Morro do Diabo e no fragmento da Fazenda San Maria, no extremo oeste paulista, que possuem diferentes estruturas e disponibilidade de recursos.

Maria Carolina Manzano, também pesquisadora do programa, integra a equipe do estudo. Segundo ela, o foco foi avaliar a eficácia das câmeras-trap como ferramenta de monitoramento não invasivo para o mico-leão-preto e outros mamíferos arborícolas.

Retrato inédito

As câmeras registraram também outras espécies, como macaco-prego (Sapajus nigritus), cuíca-cinza (Marmosa paraguayana), gambá-de-orelha-branca (Didelphis albiventris), cuíca-lanosa (Caluromys philander), esquilo-brasileiro (Guerlinguetus brasiliensis) e tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla).

As armadilhas fotográficas, com sensores de movimento infravermelho passivo, funcionavam 24 horas por dia, gravando vídeos de 15 segundos com intervalo mínimo de 10 segundos, até que nenhum movimento adicional fosse detectado.

O estudo ocorre na Mata Atlântica, um dos biomas mais ameaçados do planeta, com apenas 12% da cobertura original preservada. Gabriela Rezende afirmou que as câmeras arbóreas deram um retrato inédito das florestas. “Além do mico-leão-preto, observamos como espécies diferentes compartilham recursos e adaptam seu comportamento em áreas fragmentadas. Proteger uma espécie bandeira ajuda a garantir a sobrevivência de muitas outras”, destacou.

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