Brasil bate recorde de exportação de carne bovina em 2025, mesmo com tarifaço dos EUA
Exportação de carne bovina atinge recorde histórico em 2025

O setor de carnes do Brasil encerrou 2025 com um marco histórico, demonstrando força e resiliência diante de desafios comerciais internacionais. De acordo com dados oficiais, as exportações de carne bovina brasileira bateram recordes tanto em volume quanto em valor financeiro, mesmo com a ameaça de sobretaxas impostas pelos Estados Unidos.

Números que impressionam

Os dados compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços nesta quinta-feira, 8 de janeiro de 2026, revelam um crescimento robusto. A receita com as vendas externas do produto saltou 20,9% em 2025 na comparação com o ano anterior. No total, foram movimentadas 3,50 milhões de toneladas, gerando uma receita de 18,03 bilhões de dólares, o maior valor já registrado na série histórica.

China mantém liderança, EUA surpreendem no segundo lugar

O panorama dos destinos das carnes brasileiras manteve a China no topo, mas com uma participação de destaque dos Estados Unidos, mesmo sob tensão tarifária. A China respondeu por 48% do volume total exportado, com a compra de 1,68 milhão de toneladas, no valor de 8,90 bilhões de dólares, um aumento de 22,8%.

O cenário mais surpreendente ficou por conta dos Estados Unidos. Apesar do chamado "tarifaço" anunciado pelo governo do presidente Donald Trump, o país se consolidou como o segundo maior comprador. Foram 271,8 mil toneladas, que renderam 1,64 bilhão de dólares, um avanço de 18,3% no acumulado do ano. O Chile apareceu em terceiro, com 136,3 mil toneladas (US$ 754,5 milhões).

O episódio do tarifaço e a resiliência do setor

A trajetória de crescimento enfrentou um obstáculo significativo em 2025. Em abril, os EUA taxaram importações globais com uma tarifa mínima de 10%. Em agosto, a medida se tornou mais severa para o Brasil, com Trump anunciando uma sobretaxa adicional de 40% para uma ampla gama de produtos, incluindo a carne bovina.

No entanto, a medida foi revogada em outubro, após uma conversa telefônica entre o presidente americano e o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva. Esse episódio, considerado um impacto temporário, não foi suficiente para frear o desempenho anual do setor.

Além dos mercados tradicionais, outros países apresentaram crescimentos exponenciais nas importações da carne bovina brasileira em 2025:

  • Argélia: alta de 292,6%
  • Egito: crescimento de 222,5%
  • Emirados Árabes Unidos: aumento de 176,1%
  • União Europeia: avanço de 132,8%

Somando todas as categorias – carne in natura, industrializada, miúdos, tripas, gorduras e salgadas –, o Brasil enviou seus produtos para mais de 170 nações ao redor do mundo.

Setor se fortalece com diversificação

Em comunicado oficial, o presidente da Abiec, Roberto Perosa, destacou a capacidade de resposta da indústria. "Mesmo com impactos temporários, como o tarifaço dos Estados Unidos, a indústria respondeu com rapidez, mostrou resiliência e saiu ainda mais fortalecida", afirmou. Ele ressaltou que o setor conseguiu ampliar volume, valor e presença internacional, indicando uma estratégia bem-sucedida de diversificação de mercados.

Os resultados de 2025 consolidam a carne bovina como um dos principais produtos da pauta exportadora brasileira e demonstram a competitividade global do agronegócio nacional, mesmo em um cenário geopolítico complexo e desafiador.