Alta do diesel eleva custos e preocupa produtores de soja no sul do Maranhão
O aumento significativo no preço do óleo diesel nos últimos dias tem elevado os custos da produção de soja no sul do Maranhão, gerando preocupação entre os agricultores da região. Em cidades como Balsas, principal polo econômico do agronegócio na área do Mapitoba, o litro do diesel que era vendido em média por R$ 5,95 chegou a R$ 7,96 nesta semana, representando um reajuste de 33,78%.
Impacto direto na produção agrícola
Balsas, terceira cidade mais rica do estado, é responsável por aproximadamente 10% da produção nacional de soja, seguida por lavouras de milho e algodão. O combustível é essencial para o escoamento da produção, já que grande parte da soja é transportada por caminhões até o Porto do Itaqui, em São Luís, ou até o terminal de embarque de grãos da Ferrovia Norte-Sul, em Porto Franco.
Desde a escalada da guerra no Oriente Médio no início de março de 2026, o preço do óleo diesel em Balsas e em todo o Maranhão sofreu aumentos significativos, motivados por pressão internacional, reajustes tributários e especulação. O preço nas bombas disparou cerca de 7% logo na primeira semana do conflito.
Ação do Procon e reclamações do setor
O Instituto de Promoção e Defesa do Cidadão e Consumidor do Maranhão (Procon-MA) entrou com uma Ação Civil Pública contra distribuidoras de combustíveis após identificar aumentos considerados injustificados nos preços da gasolina e do diesel em postos do estado. Segundo o órgão, as empresas teriam elevado os preços baseadas apenas em expectativas do mercado internacional, sem comprovação de custos adicionais.
José Carlos Oliveira de Paula, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja no Maranhão (Agrosoja-MA), explicou que o setor produtivo no estado foi impactado pelo aumento repentino nos preços dos combustíveis, que chegou a ultrapassar 20%, mesmo com a existência de estoques nas distribuidoras.
"O setor produtivo, principalmente aqui no Maranhão, depende muito das distribuidoras para que o combustível chegue até o produtor. O aumento dos preços foi inesperado. Os preços subiram já no primeiro ataque que houve na guerra, quando ainda havia estoque nas distribuidoras", destacou José Carlos.
Reflexos na operação agrícola
O presidente da Agrosoja-MA explicou ainda que esse aumento repentino afetou diretamente o trabalho no campo, desde a colheita até o transporte da produção, pois o diesel é usado no abastecimento de máquinas como tratores e colheitadeiras. Também houve reflexo nos custos de fertilizantes, ampliando ainda mais as despesas dos produtores.
"Em um dia, o agricultor estava colhendo normalmente, e no outro já enfrentava o aumento no combustível, sob a justificativa de falta de produto nas distribuidoras. No entanto, havia caminhões aguardando abastecimento que não foi realizado", relatou José Carlos.
O setor espera que haja fiscalização e que possíveis abusos sejam apurados. "Sabemos que não é um problema apenas do Maranhão, mas de todo o país. No entanto, o aumento ocorreu de forma repentina, sem aviso prévio. O produtor não pode parar. Ele precisa colher, transportar e plantar", destacou.
Medidas governamentais e resposta do setor portuário
Os agricultores agora aguardam os efeitos da medida provisória anunciada pelo governo federal, que zerou impostos sobre o diesel, numa tentativa de reduzir o impacto da alta do petróleo no mercado internacional. Na sexta-feira (13), a Petrobras anunciou que aumentaria o preço do diesel vendido às distribuidoras a partir de sábado (14), mas com impacto reduzido para o consumidor final devido à diminuição de impostos.
A Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), que administra o Porto do Itaqui, afirmou que acompanha de forma contínua o cenário internacional relacionado ao conflito no Oriente Médio, especialmente pelos possíveis impactos nos mercados de combustíveis e fertilizantes. Apesar disso, o porto avalia que os efeitos diretos sobre suas operações são limitados, já que em 2025 as trocas comerciais com países da região representaram cerca de 2,4% da movimentação total.
Safra mais desafiadora dos últimos dez anos
A situação da alta do diesel ocorre em meio a uma safra considerada pelos produtores como a mais desafiadora dos últimos dez anos. O plantio da soja começou no fim do ano passado, mas foi atrasado por causa das chuvas abaixo da média no período. Agora, durante a colheita, o problema é o excesso de umidade nas lavouras.
As chuvas intensas atrasaram o trabalho em muitas fazendas. Quando o tempo melhora, os produtores aproveitam os dias de sol para acelerar a colheita e colocam mais máquinas no campo. Mesmo assim, há registro de queda na produtividade. Segundo o Sindicato dos Produtores Rurais da região sul do estado, o rendimento da soja está entre 10% e 15% menor em comparação com a safra anterior.
Outro fator que preocupa os produtores é a queda no preço da soja. Por ser uma commodity negociada no mercado internacional, o valor do grão tem variado. Nesta semana, a saca de 60 quilos chegou a ser negociada por cerca de R$ 100 na região, o menor preço dos últimos cinco anos, representando uma queda de quase 50% em relação ao mesmo período do ano passado.



