Acordo UE-Mercosul aprovado: 'Todos vão ganhar', diz ministro
UE aprova acordo com Mercosul após 26 anos de negociação

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, classificou como histórica a aprovação, nesta sexta-feira, 9 de janeiro de 2026, do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul pelo Conselho Europeu. Em entrevista ao programa 'Bom Dia, Ministro', da EBC, e posteriormente à revista VEJA, Fávaro expressou otimismo, afirmando que "todos vão ganhar com isso".

Uma espera de 26 anos chega ao fim

Após mais de duas décadas e meia de negociações, o bloco europeu deu um passo decisivo ao votar majoritariamente a favor da proposta. A próxima etapa formal é a ratificação do texto pelos 27 chefes de Estado dos países-membros da UE. O ministro destacou a criação do que será o maior bloco econômico do mundo, unindo mercados de forma inédita.

"É algo histórico, esperado há 26 anos", declarou Fávaro. "O Brasil está feliz, a Europa está feliz e todos vão ganhar com isso". A expectativa do governo brasileiro é que a assinatura final do acordo ocorra já na próxima semana, em uma reunião no Paraguai, país que atualmente ocupa a presidência rotativa do Mercosul.

Superando resistências e olhando para o futuro

O caminho para a aprovação não foi unânime. Países como França, Polônia, Hungria, Áustria e Irlanda votaram contra o tratado. Sobre essa resistência, o ministro da Agricultura adotou um tom conciliador, sugerindo que eventuais ajustes ou "salvaguardas" previstas no texto podem ser negociadas durante a operação prática do acordo.

"Não há que se dar foco no copo meio vazio, e sim no tamanho e na ampliação das oportunidades que estão se criando", argumentou Carlos Fávaro, incentivando uma visão prospectiva sobre os benefícios do pacto.

Lula celebra um 'dia histórico para o multilateralismo'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também se manifestou sobre a decisão do Conselho Europeu. Em suas redes sociais, Lula comemorou o resultado, lembrando que a soma dos países do Mercosul e da União Europeia representa uma população de 718 milhões de pessoas e um PIB conjunto de 22,4 trilhões de dólares.

Em sua publicação, o presidente fez uma crítica velada ao cenário global, sem citar nomes específicos. "Em um cenário internacional de crescente protecionismo e unilateralismo, o acordo é uma sinalização em favor do comércio internacional como fator para o crescimento econômico", escreveu. A observação é contextualizada pelas tensões comerciais recentes, com China e Estados Unidos – principais parceiros do Brasil – impondo tarifas pesadas às importações brasileiras no ano anterior.

Com a aprovação europeia, o acordo UE-Mercosul entra em sua reta final, prometendo redefinir as relações econômicas entre os dois blocos e gerar novas expectativas para setores estratégicos, como o agronegócio brasileiro.