Veto de Lula ao seguro-rural gera críticas da bancada ruralista
Lula veta proteção orçamentária do seguro-rural

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomou uma decisão que acirrou os ânimos no setor do agronegócio logo no início de 2026. Ao sancionar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para este ano, o mandatário vetou um dispositivo crucial que protegia o seguro-rural de contingenciamentos, ou seja, de cortes no orçamento federal.

Reação imediata da bancada ruralista

A medida não passou despercebida pelos representantes do agro no Congresso. O deputado federal Pedro Lupion (PP-PR), que preside a bancada ruralista, foi um dos primeiros a se manifestar contra a decisão do Planalto. Em uma publicação nas redes sociais feita em 3 de janeiro de 2026, o parlamentar expressou sua preocupação.

"Começando o ano já com notícia preocupante para o agro brasileiro", desabafou Lupion. Ele explicou que a emenda incluída no texto do Orçamento tinha como objetivo exatamente impedir qualquer possibilidade de corte nos recursos do seguro agrícola. O deputado lembrou que, em 2025, os produtores já enfrentaram dificuldades, sem receber subvenção para o seguro, e agora "o boleto está chegando para todos".

O posicionamento que agravou a crise

Além do veto em si, o que mais irritou o líder ruralista foi uma declaração atribuída a Guilherme Campos, secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura. Segundo Lupion, o secretário teria dito que a falta de seguro no Brasil ocorreu porque a bancada ruralista não derrubou um veto anterior.

O parlamentar classificou a fala como "a parte mais grave e mais ridícula" da situação. "Será que vão falar isso de novo? É piada pronta", questionou, acrescentando que as ações parecem ser "de caso pensado" e que, no final, quem acaba pagando a conta é o produtor rural brasileiro.

As implicações do veto para o setor

A decisão presidencial remove uma garantia orçamentária que os ruralistas consideravam vital. Sem a proteção legal contra o contingenciamento, o valor destinado ao subsídio do seguro-rural no Orçamento de 2026 fica suscetível a bloqueios, dependendo da situação fiscal do governo ao longo do ano.

Este é mais um capítulo de uma tensão recorrente entre o governo Lula e representantes do agronegócio, que reivindicam mais estabilidade e previsibilidade nas políticas de apoio ao setor. O episódio do veto deve aquecer o debate no Congresso, onde os ruralistas possuem significativa força, e pode influenciar negociações futuras sobre temas de interesse do agro.

A bola agora está com o Legislativo, que pode, se houver vontade política e votos suficientes, tentar derrubar o veto presidencial, iniciando um novo embate entre os Poderes.