Consórcio Rota Mogiana vence leilão com proposta bilionária e ágio histórico
Nesta sexta-feira (27), na sede da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), foi realizado o leilão da concessão da Rota Mogiana, com vitória do Consórcio Rota Mogiana, liderado pelo grupo Azevedo e Travassos. A proposta vencedora foi de R$ 1,084 bilhão, representando um ágio extraordinário de 187.037,54% em relação ao valor mínimo estabelecido no edital do governo paulista.
Detalhes do processo licitatório e concorrentes
O leilão contou com a participação de quatro consórcios, que apresentaram as seguintes propostas financeiras:
- Consórcio Rota Mogiana (Azevedo e Travassos): R$ 1.084.842.068,71
- MC Brazil Concessões Rodoviárias (fundo Mubadala): R$ 1.019.814.000,00
- EPR Participações: R$ 560.000.000,00
- Motiva (ex-CCR): R$ 180.285.000,00
Igor Jefferson Lima Clemente, representante do consórcio vencedor, declarou que "assumir a Rota Mogiana significa administrar trechos estratégicos que conectam cidades prósperas, integrando agronegócio, indústria e turismo".
Escopo da concessão e investimentos previstos
A concessão abrange 520 quilômetros de rodovias estaduais no interior de São Paulo, com duração de 30 anos. A estimativa de investimentos totaliza R$ 9,4 bilhões para ampliação, modernização e manutenção da malha viária. A concessionária será responsável por:
- Duplicação de mais de 217 quilômetros em rodovias estratégicas
- Implantação de 138 quilômetros de faixas adicionais
- Construção de 86 quilômetros de vias marginais
- Instalação de 58 novas passarelas para pedestres
- Criação de 129 novos dispositivos de interseção
- Implementação do Sistema Automático Livre (Free Flow) de pedágio
Impacto regional e municípios beneficiados
A Rota Mogiana atravessa 22 municípios, sendo nove na região de Campinas, beneficiando aproximadamente 2,3 milhões de pessoas. As cidades incluídas são: Aguaí, Águas da Prata, Artur Nogueira, Cajuru, Campinas, Casa Branca, Cosmópolis, Espírito Santo do Pinhal, Estiva Gerbi, Holambra, Itobi, Jaguariúna, Limeira, Mococa, Mogi Guaçu, Mogi Mirim, Santa Cruz da Esperança, Santo Antônio de Posse, São João da Boa Vista, São José do Rio Pardo, Tapiratiba e Vargem Grande do Sul.
Mudanças tarifárias e sistema free flow
O governo estadual anunciou que a nova concessão começará com redução imediata nas tarifas de pedágio, com quedas de até 29% em Jaguariúna, 26% em Estiva Gerbi e 20% em Espírito Santo do Pinhal. Será implementado o sistema free flow, onde os motoristas pagam apenas pelo trecho efetivamente percorrido, eliminando as tradicionais praças de pedágio.
Contudo, o professor doutor Creso de Franco Peixoto, da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp, alerta que "embora haja redução inicial nas tarifas, a concessão implica custo direto ao usuário ao longo dos 30 anos do contrato".
Perspectivas de segurança viária e desafios
Segundo o Governo de São Paulo, as concessões rodoviárias no estado estão associadas à redução consistente de acidentes e mortes. Dados do Infosiga indicam queda de 51% nas mortes, 42% nos feridos e 48% no total de acidentes desde o início do programa de concessões.
O professor Peixoto explica que rodovias congestionadas registram mais colisões por proximidade entre veículos, enquanto pistas ampliadas e fluidas podem reduzir esses acidentes, mas potencialmente aumentar ocorrências relacionadas à velocidade. "O saldo tende a ser positivo, mas não elimina o risco. Apenas transforma a dinâmica dos acidentes", pondera o especialista.
Fiscalização e padrões de qualidade
O contrato estabelece padrões técnicos de qualidade e manutenção das vias, sob fiscalização permanente da Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp). O governo ressalta que não há meta contratual de redução de acidentes, pois "ocorrências de trânsito envolvem múltiplos fatores, especialmente o comportamento do condutor".
A unificação administrativa dos trechos atualmente operados pela Renovias e pelo DER-SP sob uma única concessionária promete otimizar a gestão e padronizar a cobrança ao longo de todo o corredor rodoviário.



