Underboob: a ousadia da moda que expõe os seios gera debate entre tendência e marketing
Underboob: moda ousada ou apenas marketing? Entenda o fenômeno

Underboob: a moda ousada que divide opiniões entre tendência real e estratégia de marketing

A moda frequentemente testa limites sociais e estéticos, criando fenômenos que oscilam entre revoluções duradouras e flashes passageiros. O underboob, tendência que expõe a parte inferior dos seios, emerge exatamente nesse território ambíguo. Presente nas redes sociais desde 2025 e ecoando no verão de 2026 no Hemisfério Sul, essa proposta gera um debate intenso: trata-se de uma evolução autêntica do vestir ou apenas uma jogada de marketing para chamar atenção?

Origens e referências históricas da exposição corporal

Movimentos ousados na moda não são novidade. O pretinho básico de Coco Chanel, nos anos 1920, e a minissaia de Mary Quant e André Courrèges representaram mudanças culturais profundas. O underboob, no entanto, parece mais alinhado a tendências efêmeras que buscam provocar e ganhar notoriedade rápida. Suas referências incluem a cantora Christina Aguilera, que usou um lenço amarrado ao corpo no MTV Video Music Awards nos anos 2000, e figuras contemporâneas como a atriz Zendaya e a influenciadora Emma Chamberlain, que adotaram silhuetas arquitetônicas em eventos recentes.

No Brasil, a adoção é tímida. Personalidades como Yasmin Brunet experimentam a tendência na moda praia, mas sem o alarde visto internacionalmente. Essa cautela reflete um aspecto crucial: o biquíni, mais que outras peças, depende da sensação de segurança – estética, física, emocional e cultural – de quem o veste.

Resistência e conforto: a realidade por trás da ousadia

O estilista Amir Slama, referência na moda praia brasileira, observa o fenômeno com ceticismo. Ele relembra que, há alguns anos, seios à mostra apareceram em desfiles internacionais, mas em suas coleções, recortes assimétricos ocasionalmente expõem a base do peito sem intenção de criar uma tendência. Slama cita um caso revelador: a influenciadora Livia Nunes pediu um biquíni com recorte underboob, mas, antes da produção, recuou e solicitou um sutiã maior, pois mulheres que testaram o modelo relataram desconforto.

Essa questão do conforto é central. Em 2025, o underboob apareceu pontualmente na Miami Swim Week, no desfile da marca Strange Bikinis, mais como experimento criativo do que como movimento de mercado. A atriz Jenna Ortega também aderiu ao sideboob – versão lateral menos ousada – nos bastidores do Globo de Ouro, em ação claramente voltada para marketing.

O futuro da tendência: revolução ou flash passageiro?

O underboob habita um espaço instável entre o desejo de transgressão e a realidade prática do vestir. É um detalhe corporal que insiste em aparecer, mas ainda pede licença na cultura brasileira, onde o pudor e o conforto frequentemente prevalecem. Especialistas sugerem que, sem adesão massiva e conforto comprovado, a tendência pode se recolher naturalmente, como muitas ondas de estilo que fazem barulho e depois se dissipam.

Assim, enquanto o verão de 2026 testa os limites, resta a pergunta: o underboob veio para ficar ou é apenas um reflexo do momento? A resposta pode depender menos do marketing e mais da aceitação genuína das mulheres, que equilibram ousadia e bem-estar no dia a dia.