Trauma de Taís Araújo em 'Viver a Vida': a primeira Helena negra de Manoel Carlos
Trauma de Taís Araújo em novela de Manoel Carlos

A atriz Taís Araújo carrega uma experiência marcante e traumática de sua passagem pela novela "Viver a Vida", obra do renomado autor Manoel Carlos, que faleceu no último sábado, 10 de janeiro de 2026, no Rio de Janeiro, aos 92 anos. A artista, que protagonizou a primeira versão negra da icônica "Helena" nas tramas do escritor, enfrentou rejeição do público e críticas pesadas durante a exibição da trama, entre 2009 e 2010.

A rejeição da personagem e a perda do protagonismo

Na trama das nove da Rede Globo, Taís Araújo interpretou Helena, mas a recepção não foi como a esperada. O relacionamento da personagem com Marcos, vivido por José Mayer, foi alvo de forte rejeição por parte dos espectadores. Essa onda negativa fez com que a atriz se tornasse alvo de duras críticas na época.

O cenário se agravou quando, no desenrolar da história, Taís Araújo perdeu o papel central para Alinne Moraes. A colega de elenco, que interpretava Luciana, uma modelo que ficava tetraplégica após um acidente, conquistou o público com tramas consideradas mais envolventes, especialmente o romance com os gêmeos Jorge e Miguel, papel de Mateus Solano. Com isso, o foco da narrativa se deslocou.

O peso das expectativas e as críticas à produção

"Viver a Vida" era aguardada com grande expectativa, pois marcava o retorno de Manoel Carlos ao horário nobre após uma sequência de sucessos consagrados, como "Laços de Família" (2000), "Mulheres Apaixonadas" (2003) e "Páginas da Vida" (2006). No entanto, a produção não atingiu o mesmo patamar de aceitação.

A novela foi alvo de críticas pela forma como conduziu alguns temas e, principalmente, pelo seu ritmo considerado vagaroso por muitos. Esse contexto geral de avaliação negativa contribuiu para o ambiente difícil vivenciado por Taís Araújo durante o trabalho.

Um legado complexo na carreira da atriz

A experiência em "Viver a Vida" deixou marcas profundas na trajetória de Taís Araújo. Interpretar uma Helena em uma obra de Manoel Carlos era um marco significativo, mas a reação do público e a consequente mudança no núcleo da história transformaram essa oportunidade em um episódio desafiador e doloroso.

O falecimento de Manoel Carlos reacende a memória desse capítulo da televisão brasileira, que mistura o talento inquestionável do autor com as dificuldades enfrentadas por uma atriz de destaque ao quebrar um padrão estabelecido em suas obras. O episódio permanece como um exemplo das complexidades e pressões existentes no mundo das novelas.