A cantora Paula Fernandes, de 41 anos, encerrou sua participação na novela 'Coração Acelerado', exibida no horário das 7 pela TV Globo, e aproveitou para fazer reflexões profundas sobre a trajetória das mulheres no universo da música sertaneja. Em entrevista, a artista falou sobre sua experiência ao interpretar Maria Cecília Garcia e sobre as barreiras que enfrentou por ser mulher em um meio historicamente dominado por homens.
Desafios do machismo no sertanejo
Paula Fernandes não poupou palavras ao descrever os obstáculos que encontrou ao longo de sua carreira. Ela afirmou que o sistema musical sempre foi preparado para duplas masculinas, o que tornou a estrada especialmente complicada para as artistas mulheres. "A gente enfrenta inúmeros desafios por ser mulher", declarou a cantora, lembrando que, em sua época de estreia, teve que ser 'boi de piranha', abrindo caminho em um ambiente hostil.
Apesar de reconhecer a presença de outras pioneiras, como Sula Miranda e as Irmãs Galvão, Fernandes destacou que coube a ela enfrentar barreiras específicas em um momento crucial. Sua luta, segundo ela, ajudou a pavimentar uma nova estrada para as gerações futuras de cantoras sertanejas.
A personagem Maria Cecília e o 'feminejo'
Na trama das sete, Paula deu vida a Maria Cecília Garcia, a avó da personagem Agrado, interpretada por Isadora Cruz. A personagem é uma figura inspiradora que incentiva a neta a seguir a carreira musical, enfrentando a resistência da família e de um marido machista.
A cantora definiu Cecília como uma mulher marcada pela determinação. "Ela quer muito ser cantora. Enfrenta a família, enfrenta o marido machista… Ela é forte e, ao mesmo tempo, tão doce. Acho que determinação seria a palavra para defini-la", explicou Paula.
Fernandes também expressou seu orgulho em fazer parte de um elenco que valoriza a representatividade feminina. Ela enxerga sua personagem como um reflexo da força do movimento 'feminejo', que considera potente, criativo e capaz. "A mulher tem que se mostrar, principalmente nesse gênero sertanejo", completou.
Legado e inspiração para novas gerações
Ao conectar sua própria história com a de Maria Cecília, Paula Fernandes revelou que se sente privilegiada por contribuir para essa narrativa. Apesar de não estar vivendo exatamente a mesma situação da personagem, a ideia de que Cecília carrega um pouco de sua essência a enche de orgulho.
A entrevista, concedida em 17 de janeiro de 2026, reforça o papel de artistas consolidadas em abrir espaços e discutir temas relevantes. As declarações de Paula Fernandes jogam luz sobre a evolução do sertanejo e a importância de se combater o machismo estrutural dentro e fora dos palcos.
A participação especial na novela 'Coração Acelerado' não foi apenas um trabalho artístico, mas também uma oportunidade para a cantora reforçar seu posicionamento e inspirar outras mulheres a persistirem em seus sonhos, independentemente dos desafios.