Musa da Gaviões desfila após prisão por suspeita de lavagem ligada ao PCC
Musa da Gaviões desfila após prisão por suspeita de lavagem

Musa da Gaviões da Fiel retorna à avenida após prisão por suspeita de ligação com PCC

A musa da escola de samba Gaviões da Fiel, Natacha Horana, de 33 anos, voltou a desfilar no Sambódromo do Anhembi onze meses após deixar a prisão onde cumpriu quatro meses de detenção. A influenciadora e ex-bailarina do "Domingão do Faustão" foi denunciada pelo Ministério Público de São Paulo por suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção criminosa Primeiro Comando da Capital.

Prisão e investigação do caso

Natacha Horana foi presa em 14 de novembro de 2024, em Santo Amaro, na Zona Sul de São Paulo, durante a Operação Argento. A Justiça decretou sua prisão preventiva no mesmo dia. Ela ficou detida na Penitenciária Feminina de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, até ser solta em março de 2025.

Segundo o Ministério Público do Rio Grande do Norte, a musa teria integrado o núcleo "Grupo Valdeci – Parentes e Pessoas Próximas", responsável por movimentação e ocultação de valores ilícitos do chefe da facção. As investigações apontam que Natacha movimentou R$ 15 milhões em suas contas entre 2014 e 2024, valor considerado incompatível com seus rendimentos como artista.

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As movimentações financeiras aumentaram significativamente entre 2021 e 2023, período em que Valdeci Alves dos Santos, conhecido como Colorido e ex-namorado de Natacha, estava foragido. Após a prisão dele em abril de 2022, os valores voltaram ao padrão anterior.

Defesa e declarações da musa

Em nota, a defesa de Natacha Horana afirmou que ela foi "injustamente envolvida em investigação apenas porque, anos atrás, acabou se relacionando amorosamente com uma das pessoas investigadas". Os advogados destacam que ela "jamais praticou qualquer ato ilícito, direto, indireto ou colaborativo".

Em entrevista concedida antes do carnaval, a bailarina declarou ser inocente e disse ter sido presa por algo que não cometeu. Ela relatou ter desenvolvido depressão e síndrome do pânico durante o período de detenção e descreveu o retorno à avenida como um "renascimento".

Natacha afirmou que conheceu Valdeci com outro nome e que ele se apresentava como empresário do ramo agropecuário. Segundo ela, o relacionamento durou cerca de três meses.

Nova denúncia após o desfile

Após o desfile no Anhembi, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo apresentou nova denúncia contra Natacha Horana. O documento acusa a influenciadora de ocultar e dissimular a propriedade de:

  • Um imóvel
  • Um veículo Mercedes-Benz avaliado em R$ 320 mil

Segundo o MP-SP, esses bens teriam sido adquiridos com recursos do esquema criminoso liderado por Valdeci. O automóvel foi pago em dinheiro vivo, o que dificultaria o rastreamento da origem dos valores, e foi apreendido em novembro de 2024 durante a operação que levou à prisão da bailarina.

A empresa LNS Construtora, Incorporadora e Locação Ltda. pediu a restituição do veículo, alegando ser a proprietária e afirmando que o carro havia sido apenas emprestado a Natacha. No entanto, o Ministério Público aponta que a documentação apresentada indicava apenas troca de bateria da chave e abastecimento.

A denúncia também menciona que Natacha e sua mãe teriam recebido mais de R$ 246 mil de integrantes de outro núcleo investigado. As investigações seguem em curso nas Justiças de São Paulo e do Rio Grande do Norte, mesmo após o retorno da musa à avenida.

Contexto carnavalesco

A Gaviões da Fiel foi vice-campeã do Grupo Especial do carnaval de São Paulo em 2026, e Natacha Horana deve voltar para o Desfile das Campeãs, que acontece no Sambódromo do Anhembi. O retorno da musa à avenida ocorre em meio às acusações e investigações que continuam a acompanhar seu nome, criando um contraste entre a celebração carnavalesca e as questões judiciais pendentes.

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