Seu Jorge lança 'The Other Side' após 16 anos: 'Melhor trabalho'
Seu Jorge lança 'The Other Side' após 16 anos

O cantor Seu Jorge finalmente lançou nesta sexta-feira (8) o álbum 'The Other Side', um projeto que começou a ser idealizado em 2009, há 16 anos. A obra, que ficou pronta em 2019, teve seu lançamento adiado devido à pandemia e a outros compromissos do artista. Agora, o disco chega ao público com 11 faixas, incluindo regravações de Milton Nascimento e Arthur Verocai, além de participações de Marisa Monte e Maria Rita.

Um disco gestado em Los Angeles

Todo o álbum foi produzido em Los Angeles, nos Estados Unidos, para onde Seu Jorge se mudou com a família. Apesar de ter sido criado em solo americano, 'The Other Side' reflete a essência do Brasil dos anos 1960 e 1970, com influências da MPB de João Gilberto e do samba-rock de Jorge Ben Jor. O cantor explica que o disco nasceu da vontade de explorar sua própria sonoridade, mas também a sonoridade brasileira.

O processo de criação foi lento e cuidadoso. Seu Jorge conta que foi construindo a identidade do álbum durante conversas com os músicos envolvidos, prestando atenção em cada detalhe dos arranjos. O trabalho ocorreu em paralelo a outros projetos do cantor, que ia ajustando 'The Other Side' conforme a inspiração surgia.

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Em 2019, o álbum estava pronto, mas a pandemia impediu o lançamento. "Eu, que fui tão criterioso com esse trabalho, não ia simplesmente publicar sem avisar as pessoas, sem falar para o público", justifica o artista. Ele esperou mais seis anos até sentir que era o momento certo.

A capa e o ambiente familiar

A capa do álbum foi fotografada no exato momento em que Seu Jorge estava sentado, fumando um cigarro e tomando sol. "Naquela hora, eu pensava: 'Tenho que ficar aqui um pouco'", relembra. A presença da família foi fundamental para o músico, assim como a troca constante com Mario Caldato Jr., produtor musical e dono do estúdio onde o disco foi gravado.

Música e diplomacia

Diferente de 'Baile à la Baiana', seu trabalho anterior de 2025, que é mais eletrônico e dançante, 'The Other Side' é mais calmo, com canções de voz e violão. Das 11 faixas, apenas uma é de autoria do cantor. "É um álbum no qual sou intérprete, uso minha voz como instrumento", explica. Seu foco maior foi nas conversas com produtores e musicistas sobre os arranjos.

Com canções em português e inglês, o álbum mira o público internacional. Seu Jorge vê a cultura como um instrumento de expansão diplomática e geopolítica. "Fiz música brasileira nos EUA, com formatação americana, almejando ser percebido no mundo inteiro", afirma.

O cantor considera 'The Other Side' seu melhor trabalho, devido ao cuidado com os detalhes e à sinceridade. Ele ressalta que não é um disco para o mercado: as músicas fogem do compasso tradicional e não devem viralizar ou tocar nas rádios. "Estamos trabalhando para a beleza, não pelo custo. Passamos a vida toda trabalhando para a indústria; uma vez na vida, a gente tem que poder fazer diferente", declara.

Futuro: um álbum de samba

Após lançar um trabalho tão maturado, Seu Jorge já pensa no próximo projeto: um álbum de samba, algo inédito em sua carreira. Ele cita produtores como Rildo Hora e Wilson Prateado e sonha em trabalhar com sonoridades que vão dos anos 1960 ao final dos anos 1990. "Quero ter um álbum de samba porque sou um bom cantor de samba e me sinto confortável nessa área", afirma. Sobrinho de Jovelina Pérola Negra e primo de Dudu Nobre, o samba corre em suas veias.

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