Filha de Manoel Carlos analisa novelas: 'Eram machistas, claro que sim'
Julia Almeida fala sobre machismo nas novelas do pai

A atriz Julia Almeida, filha do consagrado novelista Manoel Carlos, trouxe uma reflexão crítica e contemporânea sobre o legado das obras do pai. Em entrevista exclusiva ao programa semanal da coluna GENTE, disponível no YouTube, no streaming VEJA+ e também no Spotify, a artista de 42 anos abordou sem rodeios uma característica marcante daquelas produções que marcaram os anos 2000.

Um legado revisitado pelas memórias e pelos memes

As personagens criadas por Manoel Carlos, conhecido carinhosamente como Maneco, voltaram a ganhar destaque nas redes sociais através de memes. No entanto, a discussão proposta por sua filha vai além da nostalgia ou do humor. No final de 2024, Julia Almeida produziu um documentário que revisita as criações do pai, oferecendo uma nova perspectiva sobre tramas que eram um verdadeiro fenômeno de audiência.

Em sua análise, Julia não hesita em classificar as novelas. "As novelas do meu pai eram machistas, é claro que sim", declarou de forma direta durante a conversa. Ela, porém, não faz essa afirmação de forma isolada, mas a insere em um contexto social mais amplo.

Contexto histórico e a luta contínua pelos direitos

A atriz pondera que as histórias refletiam, e ainda refletem em muitos aspectos, a sociedade em que foram produzidas. "Mas vivemos ainda num mundo machista", completou, destacando que a crítica deve ser acompanhada de uma compreensão do período. Para Julia, a grande diferença está na consciência e nos instrumentos de luta disponíveis hoje.

"O que nós mulheres temos são os direitos. É por isso que falo, e não sou de levantar bandeiras. Temos os nossos direitos? Sim, mas às vezes precisamos relembrar", explicou. Sua fala equilibra o reconhecimento das conquistas femininas com a necessidade constante de vigilância e afirmação desses direitos.

Uma postura prática e sem vitimismo

Julia Almeida finalizou seu raciocínio com uma declaração que define sua postura diante da questão. "É chato? É. Agora vou ficar de mimimi? Não". A frase sintetiza uma visão que aceita o incômodo de apontar problemas estruturais, como o machismo, mas que recusa uma atitude passiva ou apenas lamentosa.

A entrevista completa, que aprofunda essas e outras análises sobre o trabalho de Manoel Carlos e seu impacto na cultura brasileira, está disponível para ser assistida na íntegra nos canais da coluna GENTE. A conversa aconteceu em 2024 e foi ao ar no início de 2026, reacendendo o debate sobre como olhar para produções culturais do passado com os olhos do presente.